Na indicação que Siqueira fez de Danilo, jogada de xadrez incomoda os companheiros

Está escrito nas estrelas que as indicações do novo secretariado do governador eleito, Siqueira Campos, vão gerar confusão. Aliás, o barulho já começou ontem, primeiro no PT, onde Donizete Nogueira e Paulo Mourão onde os "companheiros" já m...

Todo projeto de poder é construído por um grupo com afinidades e interesses afins. Assim, juntaram-se em volta de Siqueira, como candidato a governador, os que têm com ele semelhanças, concordâncias, e principalmente a crença no seu jeito de governar. Certo? Aparentemente sim.

Todos os que constroem uma situação política nova, de quebra de um modelo, de enfrentamento de um governo com toda sua máquina, esperam participar juntos deste novo momento, em que o companheiro defendido nas urnas chega à esperada cadeira com a caneta na mão. Certo? Com certeza, sim.

É basicamente por estes dois argumentos que a indicação do professor Danilo de Melo, secretário de Educação do prefeito Raul Filho (PT), para ser o próximo secretário de Educação do Estado causou tanto reboliço ontem no meio político na capital. As reações foram diversas. Tem os que se apressaram a se mostrar companheiros sob qualquer condição, e aplaudiram a decisão do governador eleito, mesmo discordando dela. Tem os que realmente a consideraram positiva, pois sabem que Danilo tem um pé em Brasília, é conhecido respeitado e tem trânsito livre garantido no próximo governo do PT. E tem os insatisfeitos.

Na nova e na velha guarda, muita gente inconformada

Os argumentos destes últimos são claros: precisava indicar alguém que apoiou o adversário nesta recente eleição? Não existem quadros técnicos com competência para o cargo entre os aliados? E o principal: a maioria dos deputados e presidentes de partido com quem tenho conversado reclama que não foi chamada para qualquer conversa ou consulta. Assim, o respeito que todos têm por que conhecem o estilo do governador eleito de chamar para si as decisões, por enquanto está refletido no silêncio em que todos aguardam o anúncio de cada nome. Mas não duvidem de que isso possa mudar.

A lógica dos “companheiros” é compreensível. Apoiaram o Velho Siqueira numa campanha difícil, permaneceram com ele durante o processo de debandada de prefeitos para a base de Carlos Gaguim (atrás dos ônibus, ambulâncias, convênios, quem se lembra?) e agora querem participar. Uns querem efetivamente sua cota em cargos, participação em áreas importantes. Outros esperam pelo menos serem ouvidos.

Os vários significados do convite a Danilo

O contraponto a todos os argumentos de quem não deixa ter razão em se arrepiar com a indicação para uma das pastas chaves, de alguém que estava no outro palanque, é a necessidade. Na campanha, a necessidade era montar um grupo forte, coeso, em que cada um contribuísse para a vitória nas eleições com o capital que tivesse: político, social, financeiro. No pós-campanha, existem outras necessidades. A maior delas é governar bem, cumprir o contrato feito com o povo nas urnas no dia 3. E governar para todos, de olho na diferença entre os dois grupos, que foi pequena.

Como Siqueira poderá governar apenas com os que o ajudaram a ganhar as eleições, se venceu com 349 mil 592  votos e a população do Tocantins supera a marca de 1 milhão e 200 mil habitantes? Agregando. É isso que a indicação de Danilo significa, por mais que tenha contrariado interesses e demonstrado uma tendência de montar uma equipe com novos nomes, talentos em suas áreas.

Para quem sabe ler, um pingo é letra. Nos bastidores vazou a informação de que o convite a Danilo foi conversado com José Dirceu e Raul Filho. Abriu uma ponte com o governo Dilma, do tamanho do trânsito que Danilo já tinha no governo Lula. E relembrando a campanha, naquela cena em que Siqueira mergulhou nas águas da piscina da escola de Tempo Integral do Aureny III, dá para perceber que na prática, não havia uma distância tão grande assim entre o velho tucano e a juventude do secretário petista.

Briga pela Assembléia vem aí

Some-se a tudo isso que Siqueira assume 30 dias antes dos deputados que vão eleger a próxima Mesa Diretora da Assembléia, e o quadro começará a se desenhar. Para os insatisfeitos talvez o melhor remédio seja o tempo, em todos os sentidos. Com toda a necessidade de montar um quarteto técnico imbatível na Educação, Saúde, Infra Estrutura e Fazenda (para não falar em Segurança, eleita como prioridade), ainda sobrarão muitos espaços importantes para que o novo governador acomode os velhos companheiros, e os recentes também.

Este começo de governo lembra um jogo de xadrez, comandado por um grande estrategista. Que nós vamos acompanhar da primeira fila, traduzindo uma jogada de cada vez.

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