Foram quatro horas e meia de viagem de Palmas a São Paulo, e de lá mais quase dez até o México, a fim de chegar no domingo, com mais duas horas adicionais de vôo a Cancún, balneário turístico onde representantes de todo o mundo se reúnem para discutir medidas que evitem a degradação contínua e cada vez mais acelerada dos recursos do planeta.
A paisagem humana é variada nos vôos classe econômica que reúnem tipos de todos os lugares do planeta. Cada qual viaja fechado em seu mundo, necessidades e problemas, por um motivo. Observando o ritmo da vida que segue nas grandes cidades como São Paulo, ou nas menores, a exemplo de Palmas, percebo que no geral as pessoas pouco refletem sobre o dano, ou a conseqüência de suas ações no aquecimento do planeta, e no que ele implica para o esgotamento dos recursos naturais que permitem a vida, da maneira como a conhecemos.
Este é um problema de tempo, de foco e de prioridades. Poucas pessoas conseguem uma pausa no seu dia a dia para refletir, discutir e menos ainda se mobilizar sobre o impacto que o modelo de desenvolvimento vivido hoje pela maioria da população da maior parte dos países causa à natureza. A própria palavra natureza soa estranha para quem vive nas cidades de concreto, numa rotina que imprime ritmo, movimento, guerra por espaço, crescimento nos negócios, nas empresas, nas instituições.
A maior parte dos cidadãos do mundo está ocupada em garantir sua própria sobrevivência, muito mais do que pensar no efeito causado pelo ar condicionado em dias de calor infernal, ou no volume de gases projetados no ar pela quantidade carros circulando pelas ruas, sem que haja qualquer política de controle de circulação destes ícones da sociedade do consumo.
Viver uma vida mais simples, poluir menos, buscar soluções inteligentes para crescer, plantar, comer e sobreviver sem poluir tudo ao nosso redor, e condenar as gerações futuras a cenários de desertificação, é um desafio. O que representantes de diversas nações, ambientalistas e ong’s, produtores rurais e economistas fazem na COP 16 é tentar dialogar, e evoluir nos acordos já feitos. A maioria deles ainda não foi cumprida.
Nos próximos dias vamos falar disto aqui. Para quem puder abrir um espaço em sua rotina diária para ler, ao menos. Para se informar sobre assuntos que interessam a toda humanidade. Coisas que com certeza afetam a nossa vida, e que deixamos passar por ela, muitas vezes sem notar.
*Roberta Tum viaja ao México integrando grupo de jornalistas que assiste e cobre a COP 16 à convite da CNA, que apresentará o projeto Biomas em painéis de discussão ao longo do evento.
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