Os sons, cores e movimentos expressados pelos "Caretas" durante a Semana Santa ainda ecoam em Lizarda, na região do Jalapão. Sob máscaras expressivas e corpos cobertos por folhas, eles mais uma vez tomaram as ruas para reviver uma tradição iniciada em 1932, que funde fé, cultura e diversão.
Mais do que uma encenação, a festa é um ritual coletivo que mobiliza a comunidade. Homens mascarados atuam como guardiões da “quinta” — espaço simbólico com alimentos como cana-de-açúcar e abóboras. Quem participa tenta invadir o local e encara os caretas, que utilizam chicotes artesanais, conhecidos como pinholas, em um espetáculo popular ao ar livre.
O evento integra o Calendário Cultural do Tocantins e conta com o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura (Secult). O secretário Adolfo Bezerra destaca que a manifestação representa a força da identidade do povo tocantinense. Para o prefeito Marcello Lustosa, a festa simboliza a união e a resistência cultural do município ao longo das décadas.
Origens e Identidade
A brincadeira ocorre entre a Sexta-Feira da Paixão e o Sábado de Aleluia. Os participantes garantem o anonimato com máscaras de couro ou cabaça e vestimentas de folhas de bananeira seca. A tradição é preservada por famílias locais, como a do saudoso João Delmar Teixeira e a família Papim. Neste ano, a organização seguiu sob a condução de Luzia Alves de Sousa, com apoio da Prefeitura de Lizarda, o que mais assegurou a continuação desse histórico legado jalapoeiro.
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