A ex-prefeita de Palmas Cinthia Ribeiro Mantoan acompanhou o marido, deputado estadual, Eduardo Mantoan, à filiação no PSD de Laurez Moreira e Irajá na manhã desta quarta-feira, 25 na ATM. Mas diferente do que chegou a ser noticiado na imprensa, não se filiou à legenda.
Educadamente, explicou ao presidente da legenda nacionalmente, Gilberto Kassab, suas questões. A primeira é que ainda não se desfiliou do PSDB, onde sofreu uma enorme decepção pela forma como o partido lhe foi tirado pela nacional após 12 anos de filiação. Lá ela está na executiva nacional e na presidência do PSDB Mulher.
A segunda é que, como tem dito entre amigos e aliados, prefere ser “cabeça de lagartixa a rabo de jacaré”. Ou seja: com a liderança que tem na capital e o legado que carrega das lições e convivência com o saudoso João Ribeiro, está apta a disputar desde o governo à uma vaga à deputada federal.
Ocorre que a chapa do PSD tem incongruências. E o PSB além do PDT não tem chapa de federal.
Esquerda sonha com Cinthia governadora num palanque de Lula
Também não é segredo para ninguém que o perfil da ex-prefeita está mais para a esquerda que para a direita.
Aliás, Cinthia é centro esquerda. Já se aliou à Federação Brasil da Esperança em 2024, quando lançou Jr. Geo na sua sucessão.
O PT sonha com ela em suas frentes. O PC do B já fez convite formal. O PV tem compromisso com a senadora professora Dorinha e vai, mais uma vez, fazer caminho independente neste 2026.
A grande pergunta é o que será feito do PSB.
Embora negue formalmente, o senador Irajá é quem tem o comando do partido no Tocantins. Porém, não vai conseguir entregar chapa de federal (que é o que todo partido quer e precisa).
Então, se o grupo de Laurez quer a presença e o peso eleitoral da ex-prefeita no seu palanque, por que ainda não lhe facultou o acesso ao PSB?
Na Nacional dos socialistas a prefeita tem trânsito direto, mas não quer passar por cima do senador, com quem tem um excelente relacionamento.
Se assumir o PSB (que até outro dia era de Amastha) pode ser uma alternativa à vice-governadora, e pode agregar a esquerda ao palanque de Laurez. Ou pode ser um plano B se a candidatura de Laurez não crescer nos próximos meses.
A verdade transparente nas pesquisas qualitativas é que o eleitor tocantinense quer o novo.
Neste quesito, quem vem rompendo bem é o “sertanejo” Vicentinho Jr. Seu nome cresce entre o eleitorado jovem e masculino. Ele tem a pegada do homem tocantinense do interior. Religioso, boa praça, o mais bolsonarista de todos os pré-candidatos de direita.
Se o barco seguir como está a disputa tende a acontecer entre três candidaturas de direita. A terceira é a de Laurez, que vem mais com verniz de Centro.
Isso sem falar de Amélio Cayres, que está com um leque de opções que vai do MDB, ao próprio PSB, passando pelo Solidariedade.
Líderes precisam ter percepção histórica e visão de futuro
A ex-prefeita tem o marido candidato em casa – Mantoan fez um belo mandato, de conceito, de bandeiras e de defesa de pautas interessantes – com perfil conservador. E na rua é amada e aclamada por um eleitorado mais livre, leve e solto de conceitos e pré-conceitos.
A grande verdade é que Cinthia Ribeiro Mantoan terá que escolher se quer ser coadjuvante ou protagonista nas eleições deste ano.
Sua decisão pode facilmente provocar um segundo turno no Tocantins. Pode significar um interessante passo à frente. Ou mais do mesmo.
O que não pode acontecer é um partido do tamanho e da importância do PSB - que está gestando em João Campos uma alternativa de centro esquerda para substituir Lula em 2030 – ficar à deriva no Tocantins.
Se Irajá for esperto, alinhava este grande acordo e garante a terceira legenda com peso no grupo. Se não podemos até ver Amélio Cayres - este sim, um deputado com perfil conservador e à direita - tomar conta do que já foi no Tocantins um partido “de luta, de primeira”, a cara da forte militância socialista brasileira.
Até o dia 4 de abril, quem viver, verá.
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