Para a realidade do dia a dia do eleitor tocantinense, o mês de outubro de 2026 parece bem distante. Porém para quem vive o mundo da construção política que precede qualquer eleição este ano, que começa de agora, é fundamental para o jogo que precede as convenções.
Buscar parcerias, fidelizar companheiros, neutralizar ou conquistar potenciais adversários é a tarefa do dia a dia neste 2025.
Os nomes que circulam neste momento são três: Laurez Moreira, vice-governador e pré-candidato natural à sucessão de Wanderlei Barbosa - que, eleito duas vezes, não pode mais ir à reeleição - e vive o dilema de se licenciar para disputar o Senado, ou governar até o último dia de 2026 e ficar sem mandato.
Ex-deputado estadual, ex-deputado federal, ex-prefeito de Gurupi, Laurez Moreira tem bagagem política para pleitear com boas chances o cargo de governador. A rede de intrigas, no entanto, deu conta de fazer o afastamento entre o vice e o Barbosa, criando animosidades difíceis de transpor.
Para isolar e neutralizar qualquer potencial crescimento político em eventuais substituições, Wanderlei fez aprovar com sua ampla base na Aleto a “Pec do Laurez”.
O movimento recente que se assiste nos bastidores é de reaproximação e os dois passaram a ser vistos nos mesmos eventos e sentados bem próximos, como foi o caso do evento promovido pela Asccam na semana que passou.
Senadora Dorinha: sem Wanderlei, potencial eleitoral é incógnita
Se por um lado surge no horizonte político a possibilidade de uma reconciliação entre Wanderlei e Laurez, por outro é nítido o distanciamento entre o governador - cujo partido Republicanos tem em Amélio Cayres, a expectativa de poder para os próximos quatro anos – a senadora Prof. Dorinha e o deputado federal Carlos Gaguim.
Divulgação
Os dois são respectivamente pré-candidatos ao governo e ao Senado da República. O União Brasil forma grupo com o PP do deputado federal Vicente Jr., que também é pré-candidato ao Senado. Em nível nacional, os partidos discutem fusões e o surgimento de novas federações que certamente vão mexer no cenário regional, mas que ainda não aconteceram.
A grande dúvida que ouço ao circular em diferentes rodas de políticos é: qual é de fato o potencial eleitoral da Senadora, se seu grupo marchar separado do grupo do governador Wanderlei Barbosa?
Nas últimas eleições, Dorinha seguia para apoiar Ronaldo Dimas (Podemos), ao governo, acompanhando o senador Eduardo Gomes (que agora está mais próximo do que nunca de Barbosa e Cayres). Neste momento, o lançamento da candidatura do senador Irajá ao governo, terminou por sepultar a parceria entre Barbosa e Kátia Abreu que era a candidata à reeleição junto com o grupo palaciano, provocando uma ruptura e a derrota que se seguiu.
Se o nome de Dorinha era leve e simpático às bases no interior, em contraponto ao desgaste dos diversos mandatos da então senadora Kátia Abreu, o cenário político hoje é bem diferente. Cada eleição, uma história.
Amélio Cayres e a força do grupo dos 20, fora das eleições indiretas
A Assembléia Legislativa vê surgir em meio a todo esse cenário, a possibilidade de eleger pela primeira vez um governador de forma direta.
Nos últimos anos, foi a Aleto que fez Carlos Gaguim, Sandoval Cardoso, Mauro Carlesse e Wanderlei Barbosa governadores. Dos quatro, Gaguim e Sandoval perderam eleições diretas, Carlesse foi afastado após o movimento de impeachment e apenas Wanderlei foi um caso de sucesso eleitoral nas urnas de forma direta.
De família tradicional no Bico do Papagaio, siqueirista histórico, com a fama de ser cumpridor dos compromissos políticos que faz, Amélio Cayres tem como fragilidade eleitoral apontada nos bastidores, o fato de não ser muito conhecido (ou votado) nas regiões central, sul e sudeste do Estado.
Koró Rocha/Dicom Aleto
O antídoto para isso (ouvi de um deputado em off) é que a força de pelo menos 20 dos 24 deputados hoje em pleno mandato, tem tudo para carregar o nome de Cayres nas demais regiões do Estado. “Os deputados é que vão garantir esse volume eleitoral para o Amélio”, escutei.
Desde o final do ano, jantares e reuniões vêm costurando esta possibilidade. Recentemente, em um jantar promovido pelo deputado Vilmar do Detran, Amélio deu mais um passo no intrincado jogo de xadrez que serão as próximas eleições.
A aproximação com Eduardo Gomes, hoje um dos políticos mais poderosos do Estado, na vice-presidência do Senado, homem de confiança de Davi Alcolumbre, é um movimento importante para selar futuras alianças.
Num momento em que quase ninguém aposta mais em afastamento para o governador Wanderlei Barbosa, a expectativa de normalidade no quadro político do Estado, força cada grupo a lutar com as forças que tem para construir este futuro próximo.
Quem for mais hábil, chegará mais forte em 2026.
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