A última semana da janela de mudanças partidárias, que termina amanhã, sábado, dia 4 — prazo final de registro no TSE das mudanças partidárias — é como uma prévia do jogo, em ano de Copa e eleição.
A escalação das seleções é o primeiro passo para definir quem terá as melhores chances no Campeonato.
Já assisti a muitas eleições desde que cheguei ao Tocantins em 1991. E cada eleição é uma história diferente.
A deste ano começou com o favoritismo da senadora Professora Dorinha, apoiada pelo governador Wanderlei Barbosa, que terminou o ano passado de volta ao Palácio após três meses de incertezas.
A lacuna foi preenchida pelo vice-governador Laurez Moreira(PSD), que perdeu o elemento surpresa e a expectativa do que poderia ser um governo seu. Teve sua pré-candidatura atropelada pelo governo interino, para o bem e para o mal.
Pego de surpresa, não tinha equipe, seu grupo era insípido. Quis fazer um governo sóbrio, de contenção de gastos. Terminou mal compreendido. E a máquina de comunicação de Wanderlei terminou de fazer o resto do trabalho.
Vicente e Amélio são o “sangue novo” e a expectativa de poder dos alijados
Não há dúvida de que ao final desta semana importante - e independente de para onde vão Amarildo e Filipinho, ou Cinthia Ribeiro (que tende a ficar onde está Eduardo Mantoan) – o fenômeno que se assinala no horizonte é a aliança de Amélio Cayres e Vicente Jr.
Explico: Vicentinho era pré-candidato a Senador. Não foi abraçado na federação PP/União Brasil. O sinal de alerta acendeu-se no Bonfim e seus episódios subsequentes de áudio vazado e repercussões.
Lá também o desacerto com Laurez, quando Carlesse subiu no palanque do vice-governador. Os dois não se bicam, por motivos que não vale a pena revisitar.
Amélio Cayres por sinal fez sua trajetória. Assisti à entrevista de Wanderlei Barbosa à Maju Cotrim explicando que já estava cansado de ouvir falar de processos de impeachment nos últimos quatro meses. Desde que voltou. Soa como se Amélio estivesse chantageando Wanderley por vaga na chapa de Dorinha. O que não procede. Afinal, lhe ofereceram a possibilidade do Senado e da vice.
A grande verdade é que Amélio e Dorinha são opostos na origem e na convivência política. E o presidente da Assembleia está mais à vontade ao lado de Vicente Jr.
O que tenho ouvido, das mesas do Mercatto, à feira da Arno 33 é que Vicente Jr. é a novidade e vem forte. Amélio é o cimento entre os tijolos que vinham sendo colocados. É a amálgama, pela seriedade que tem no trato com prefeitos, vereadores, lideranças. Tem a qualidade valiosa na política que é cumprir a palavra dada. Coisa que anda rara mesmo hoje em dia.
A reaproximação com Kátia e a chegada de Iratã: aliança é significativa
A política é feita também de signos, de sinais. O maior deles foi dado ontem, quinta-feira, 2 de abril, com a filiação de Iratã Abreu. Ele que há muito tempo constrói sua história empresarial fora da política. Desde o mandato de vereador, quando tinha vinte e poucos anos, Iratã era uma promessa na política tocantinense. Saiu do circuito de tanta agressão sofrida na Câmara de Palmas, injustamente e foi cuidar da vida.
Volta agora em outro momento, consolidado empresarialmente e de olho em tudo se relaciona à Ciência, Tecnologia, geração de empregos para a geração de jovens que vive o novo mundo de desafios e necessidades.
Lembro bem de um evento no Bico, antes de Kátia ser rifada da chapa de Wanderlei, há quatro anos. O clima era de animosidade com deputados. Daquela época para cá, muita água correu embaixo da ponte. Amélio se aproximou da ex-senadora, que está fora da política, assim como conversou com quase todas as lideranças políticas no debate de formação de chapas.
Iratã teria todas as facilidades em assinar ficha de filiação no Podemos, onde recebeu segundo convite do prefeito Eduardo Siqueira esta semana, com promessa de apoio de vereadores da base, entre outros trunfos políticos. Em contraponto a uma chapa onde (até as dez e meia desta sexta) os nomes mais fortes são o do próprio Iratã e de Osires Damaso, outro empresário e ex-deputado federal.
O fiel da balança foi Amélio, numa conversa iniciada há 15 dias com Vicentinho.
Sem olho no retrovisor, grupo de Vicentinho diz que debate será entre candidatos
O que se escuta no grupo é que a pré-campanha seguirá sem olho no retrovisor. Sem ataques. Num espírito de construção que preze a discussão do novo Tocantins que esses agentes políticos estão propondo.
E que Wanderlei Barbosa – por quem Amélio tem amizade, respeito e a quem não traiu na hora da maior adversidade – fica fora do debate eleitoral. “Ele é governador e não candidato. O debate é com os candidatos a governador”, ouvi.
Se este espírito prevalecer, não teremos mais episódios como o da Asscam semana passada.
Página virada e pré-campanha iniciada, semana que vem começará outra corrida. A de narrativas, de força política, de força financeira.
Nela vencerão os mais sábios, os menos impulsivos, os mais agregadores.
Por hora, o retrato é este.
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