Kátia defende agro brasileiro e assinatura do acordo Mercosul-União Europeia

Em sua fala, Kátia classificou as preocupações com as questões ambientais e temores de concorrência desleal como infundadas e destacou o rigor ambiental do Brasil e a liderança produtiva do País

Kátia e o presidente francês, Emmanuel Macron na manhã desta quinta, 27
Descrição: Kátia e o presidente francês, Emmanuel Macron na manhã desta quinta, 27 Crédito: Divulgação

A ex-ministra da Agricultura, ex-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e ex-senadora Kátia Abreu defendeu na manhã desta quinta-feira, 27, em Paris, o Acordo Mercosul-União Europeia. A defesa da ex-ministra ocorreu durante discurso proferido por ela na reunião de presidentes de grandes empresas e representantes da classe política no Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros para o Lide, Fórum empresarial fundado pelo ex-governador de São Paulo, João Dória. Também presente no evento, o presidente francês Emmanuel Macron e o ex-presidente do Brasil, Michel Temer. 

 

 

Em sua fala, Kátia classificou as preocupações com as questões ambientais e temores de concorrência desleal como infundadas e destacou o rigor ambiental do Brasil e a liderança produtiva do País. "Estou ansiosa... Eu cheguei a imaginar que eu ia morrer e não estar viva para ver esse acordo ser assinado," declarou Kátia ao manifestar otimismo com a previsão de que o tratado seja finalmente assinado em dezembro.

 

 

Katia Abreu ressaltou a importância estratégica do Brasil no cenário alimentar global, afirmando que o país, como segundo maior produtor e exportador de alimentos do mundo, é responsável por alimentar atualmente 900 milhões de pessoas. A ex-ministra assinalou que a meta é ousada, pois o objetivo é alimentar cerca de 1,4 bilhão de pessoas até 20250.

 

 

A ex-ministra foi taxativa ao garantir que este crescimento não virá por meio do desmatamento. "Nós faremos isso com muita simplicidade, sem necessidade de desmatar uma árvore," enfatizou. De acordo com ela, o crescimento será impulsionado pela transformação de áreas de pecuária em agricultura – um potencial de 27 a 28 milhões de hectares, segundo dados da Embrapa – e pela intensificação da pecuária, que passa a utilizar as mesmas tecnologias agrícolas para aumentar a produtividade por hectare.

 

 

Kátia Abreu contrasta a realidade brasileira com a europeia e destaca o diferencial das duas safras anuais e a vasta preservação de seu território:

 

 

Característica Brasil Europa
Florestas Nativas 60% a 65% do território Apenas 1%
Energia Agroindustrial Biomassa (energia limpa), sem uso de gás natural ou petróleo Uso de gás natural comum
Rigor Legal Obrigação de Reserva Legal (20% a 80%) e Áreas de Preservação Permanente (APP), sem indenização. Menos restritiva em áreas como margens de rios.

 

 

Concorrência

Em resposta à crítica sobre a concorrência desleal do Mercosul, Kátia Abreu inverteu a lógica ao apontar a disparidade nos subsídios agrícolas. De acordo com a ex-ministra, a subvenção na França chega a $62 bilhões de dólares por ano aos seus agricultores; enquanto que no Brasil, a cifra não chega nem a $1 bilhão de dólares por ano.

 

 

A ex-ministra destacou que, apesar do apoio mínimo, o Brasil cumpriu metas ambientais ambiciosas estabelecidas na COP de Paris em 2010 (as NDCs), investindo R$ 32 bilhões na agricultura de baixo carbono (Programa ABC) e implementando tecnologias como a Fixação Biológica do Nitrogênio, que economiza milhões de reais e reduz significativamente as emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

 

 

Em seu discurso, Kátia Abreu deixou evidente para a Europa que o Brasil possui uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo e está na vanguarda do uso de bioinsumos e alternativas sustentáveis, como o marco regulatório aprovado em 2024.

 

 

Conforme a ex-ministra, o próximo passo é garantir que as palavras se traduzam na ratificação final de um acordo que ela considera vital para a prosperidade de ambos os blocos.

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