A defesa contratada pela família de Dhemis Augusto Santos, de 35 anos, assassinado no estacionamento em novembro de 2025, levanta o debate sobre a possível motivação racista da morte do vigilante durante o exercício de seu trabalho na galeria Aldeia Mall, localizada no centro de Palmas.
Foragido há mais de quatro meses, Waldecir José de Lima Júnior, de 40 anos, foi capturado na região sul de Palmas em operação da Polícia Civil do Estado do Tocantins (PCTO).
Após prisão preventiva decretada, o delegado Israel Andrade informou à reportagem do T1 Notícias que o indiciamento correto é o de “homicídio qualificado por motivo fútil, decorrente da banalidade da discussão no trânsito”.
“Concluí, como presidente da investigação, que não houve essa questão de racismo. Não foi motivado por ódio", pontua o delegado.
O advogado Paulo Mello, que representa a família de Dhemis, argumenta que o crime tem motivação racial e deve ser tratado com a qualificadora de racismo.
Ele sustenta que a atitude do atirador reflete uma grave questão social, o “racismo estrutural”. "Pode não ter havido palavras racistas afirmadas pelo assassino no ato da execução do crime. Porém, o nosso caso é de racismo estrutural ", destaca o advogado.
Na abordagem de Paulo Mello a forma como foi cometido o crime em questão teve motivação racista, que “pode ser qualificadora dentro do homicídio”, e a defesa irá “levar isso à ação penal”.
Paulo Mello informa que “o relatório final do inquérito vai ser finalizado e segue para a Promotoria de Justiça, e assim que o Judiciário aceitar a denúncia, terá início a ação penal.”
O advogado aponta ainda que “o relatório final deve ser apresentado, contendo relatos das testemunhas presentes no momento do crime, e o início da ação penal deve ocorrer em breve”. Mello também aponta “autoria e materialidade incontestáveis, devido às imagens da câmera de segurança que registrou o momento do crime.”
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