Oficinas de saberes de terreiro e imersões integradas voltadas à valorização das tradições de matriz africana e à promoção de geração de renda marcaram a programação do 1º Festival Cultural e de Geração de Renda. A iniciativa é realizada pela Associação A Barraca, em parceria com o Terreiro Ilê Odé Oyá e com apoio do Ministério Público do Trabalho no Tocantins.
A programação reuniu três oficinas formativas, cada uma com carga horária de dez horas, integrando cultura, qualificação e incentivo à geração de renda.
A Oficina de Ritmos, Toques, Cantigas e Danças de Terreiro abordou fundamentos dos ritmos tradicionais das religiões de matriz africana, toques de atabaque como Ijexá, Nagô, Congo e Barravento, cantigas tradicionais e a relação entre música, corporeidade e espiritualidade. Conduzida por Oloye Diego Adaes e Oloye Danilo Alves, a atividade incluiu vivências rítmico-corporais e prática coletiva de xirê.
Na Oficina de Gastronomia Tradicional Afro-Brasileira, os participantes trabalharam a culinária ancestral e de terreiros, os alimentos sagrados e sua relação com os orixás, práticas de higiene e segurança alimentar, preparo de pratos tradicionais, uso de ervas e temperos, além de noções de comercialização. A formação foi ministrada pela Iyalorixá Mariana Vieira e pela Egbome Fabiana Alves.
Já a Oficina de Confecção e Cuidados com Roupas de Terreiro apresentou conteúdos sobre o simbolismo das vestimentas, técnicas básicas de costura, conservação das indumentárias e confecção de peças como saias, panos e ojás, com foco também na geração de renda. A atividade foi conduzida pela Ekedje Bruna e pela Iyalorixá Clara Conceição.
Responsável pelo Terreiro Ilê Odé Oyá, Pai William de Oxóssi destacou o papel do festival na preservação cultural. “Este encontro fortalece a transmissão dos saberes ancestrais e cria oportunidades para que nossa cultura seja respeitada e valorizada pela sociedade, além de promover verdadeiras possibilidades de renda para nosso povo de terreiro, mostrando que nossa cultura é viva e tem força ancestral," afirmou.
Vinda de São Paulo para ministrar a formação, Ialorixá Clarinha enfatizou a dimensão educativa da iniciativa. “Compartilhar esses conhecimentos é garantir que a tradição continue viva, com respeito à oralidade e aos fundamentos que sustentam nossas práticas. É uma honra fazer parte desta programação e ver como a comunidade do Tocantins se interessa em perpetuar nossa tradição, que é tão bonita," destacou.
O evento foi gratuito e reuniu terreiros de Palmas e membros da comunidade em geral, além de promover o ecumenismo religioso com a participação também de cristãos.
Uma das participantes das oficinas, Helena Câmara celebrou a experiência. “É uma oportunidade de aprendizado muito rica, que une cultura, espiritualidade e possibilidades reais de geração de renda. Eu, como cristã, reconheço a existência dos povos de terreiro como manifestação da cultura brasileira, e eventos como este, especialmente abertos ao público, são importantes, pois promovem o respeito e combatem a intolerância religiosa," comentou.
A Secretaria de Estado da Cultura do Tocantins (Secult) também acompanhou as atividades. O secretário Adolfo Bezerra participou da programação e ressaltou a importância de ações que reconhecem e fortalecem os saberes tradicionais. “São muito importantes eventos como este, que buscam a valorização da diversidade cultural e com a promoção de políticas públicas que respeitam e fortalecem as comunidades tradicionais. Estamos comprometidos em garantir que todas essas manifestações recebam o devido destaque”, afirmou.
A programação incluiu ainda uma roda de conversa entre sacerdotes e sacerdotisas de diferentes casas de matriz africana, com foco na troca de experiências, fortalecimento da rede de terreiros e debate sobre intolerância religiosa, direitos e políticas públicas. Também está prevista a 3ª entrega de presente de Iemanjá, na Praia da Graciosa, com a participação de casas de Candomblé e Umbanda, Tambores do Tocantins, capoeiristas e parceiros.
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