Cresce em Palmas o golpe do falso advogado, modalidade de fraude em que criminosos se passam por profissionais da área jurídica para enganar vítimas e obter transferências bancárias. Nesta quinta-feira, 15, na Delegacia de Crimes Virtuais, pelo menos cinco pessoas procuraram a unidade para registrar ocorrências relacionadas ao mesmo tipo de crime.
Entre os casos registrados está o de uma moradora da Capital, que formalizou Boletim de Ocorrência após relatar ter sido vítima do golpe. De acordo com o registro policial, o contato inicial ocorreu no dia 3 de janeiro, quando a vítima recebeu ligação de um número que se apresentou como sendo de sua advogada e informou sobre uma suposta proposta de acordo relacionada a um processo real já julgado a seu favor e que estaria em fase de execução. Após as explicações, a vítima teria sido orientada a fornecer uma chave Pix para “registro e homologação do acordo”.
Ainda conforme o relato, em seguida foi informado que um suposto promotor faria contato para “liberar a ordem de pagamento”. A vítima relatou que estava em viagem e, em uma nova chamada, foi orientada a realizar uma suposta “validação do aparelho” para que pudesse receber um Pix “sem cobrança de taxas”.
O boletim informa que, durante a conversa, os criminosos solicitaram que a vítima compartilhasse a tela do celular, procedimento que teria permitido acesso a informações bancárias e limites de transações. O prejuízo relatado foi de R$ 2.999,00, valor transferido via Pix e direcionado para uma empresa.
A vítima afirmou que só desconfiou do golpe após perceber instabilidades na ligação e confirmar, por outro número, que a advogada citada não havia feito nenhum contato. Após o ocorrido, ela informou que bloqueou o acesso ao aplicativo bancário e buscou atendimento em seu banco, porém o valor não havia sido devolvido até o momento do registro, pois o caso ainda estava em análise.
T1 pediu explicações à Polícia Civil
O portal entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins para ter mais informações sobre essa modalidade de golpe e, em nota, a pasta informou que “atua continuamente na apuração de golpes praticados no ambiente virtual, incluindo o golpe do falso advogado na Capital. No interior, as delegacias circunscricionais também conduzem investigações relacionadas ao mesmo tipo de crime.”
A SSP destacou a Operação Espada de Themis, deflagrada no último ano, que resultou no indiciamento de 47 envolvidos e na identificação de 20 vítimas. Segundo a pasta, outras apurações seguem em andamento, mas não podem ser detalhadas por questões de sigilo e estratégia policial.
Sobre o número de ocorrências registradas, a SSP esclareceu que não é possível informar o total exato desse golpe de forma individualizada, já que o sistema estatístico categoriza os casos de estelionato pelo meio utilizado. Assim, esse tipo de crime é contabilizado dentro da classificação “fraude eletrônica”, sem separação por modalidade.
A Secretaria reforçou ainda que a principal medida preventiva é desconfiar de solicitações de pagamentos ou transferências recebidas por meios eletrônicos. A recomendação é confirmar a veracidade do pedido diretamente com o suposto emissor (por chamada telefônica, vídeo ou presencialmente) antes de realizar qualquer transação.
OAB-TO também foi acionada
O T1 também solicitou um posicionamento da OAB-TO sobre quais medidas estão sendo adotadas para combater e prevenir o golpe do falso advogado. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.
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