Palmas registra procedimento cardíaco inovador realizado apenas cinco vezes no mundo

A intervenção no Hospital Unimed Palmas utilizou técnica minimamente invasiva para tratar doença rara; caso é o segundo no Brasil e marco na cardiologia

Crédito: Divulgação

Um procedimento inovador foi realizado no Serviço de Hemodinâmica do IntervCenter, no Hospital Unimed Palmas, e coloca o Tocantins em destaque no cenário internacional da cardiologia. A intervenção trouxe uma nova perspectiva de tratamento para um paciente de 55 anos portador de uma doença cardíaca rara: a anomalia de Ebstein, uma alteração congênita da válvula tricúspide.

 

O paciente havia sido submetido, há cerca de 40 anos, a uma cirurgia cardíaca em São Paulo, realizada pelo renomado cirurgião Dr. Adib Jatene. Com o passar do tempo, evoluiu com arritmias, que necessitaram de tratamento por ablação e, posteriormente, implante de marcapasso.

 

Nos últimos anos, o quadro se agravou significativamente. O paciente passou a apresentar novamente insuficiência tricúspide grave e evolui para insuficiência cardíaca direita avançada. "O quadro clínico era marcado por congestão sistêmica importante, com edema generalizado por acúmulo de líquido, falta de ar intensa e grande limitação para atividades simples do dia a dia, como trocar de roupa ou tomar banho, mesmo com uso de altas doses de medicação diurética", explicou o cardiologista Dr. Carlos A. Novo.

 

Diante do alto risco de uma nova cirurgia cardíaca aberta, a equipe médica optou por uma abordagem moderna e minimamente invasiva: um procedimento percutâneo, realizado por cateter, sem necessidade de abertura do tórax.

 

A intervenção foi realizada por meio de acessos venosos na região inguinal, com progressão de cateteres até o coração. Foram implantadas duas próteses valvares do sistema TricValve: uma na veia cava superior (25 mm) e outra na veia cava inferior (41 mm). Essas válvulas atuam evitando o refluxo sanguíneo e, consequentemente, a congestão sistêmica.

 

De acordo com o cardiologista intervencionista Dr. Andrés G. Sánchez, o procedimento foi realizado com sucesso, sem intercorrências e com posicionamento adequado dos dispositivos. “Já nos primeiros dias, o paciente apresentou melhora significativa dos sintomas, especialmente do edema e da falta de ar, conseguindo caminhar mais de 100 metros sem limitações nem falta de ar”, disse.

 

O caso é considerado um marco: trata-se do segundo procedimento desse tipo realizado no Brasil em pacientes com anomalia de Ebstein e o quinto caso descrito no mundo.

 

A técnica, conhecida como implante heterotópico de válvulas nas veias cavas, surge como uma alternativa promissora para pacientes em estágio avançado da doença, que não são candidatos à cirurgia cardíaca convencional, proporcionando melhora clínica significativa e qualidade de vida.

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