À medida que nos aproximamos de 5 de agosto, data-limite para as convenções partidárias definirem oficialmente as candidaturas ao governo do Estado do Tocantins, o cenário político se intensifica e desafia os atores sociais e políticos a refletirem sobre o futuro que desejam para nossa terra. Este é um momento que exige mais do que disputas tradicionais pautadas em interesses frágeis ou estratégias de curto prazo: exige um projeto que se coloque como alternativa republicana, democrática e socialmente sensível à realidade tocantinense.
O Tocantins é um estado jovem, com pouco mais de 30 anos de história, mas que reúne potencialidades econômicas e sociais relevantes. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o rendimento mensal domiciliar per capita no Estado gira em torno de R$ 1.737,00 revelando tanto o padrão de renda da população quanto os desafios cotidianos de acesso a oportunidades dignas. Do ponto de vista econômico, o Tocantins apresentou desempenho expressivo nos últimos anos: em 2023, o PIB estadual cresceu 7,9%, colocando o Estado entre os que mais cresceram no país, impulsionado principalmente pela agropecuária, pelo comércio e pelos serviços. Esse dinamismo se reflete também no PIB per capita, que alcançou cerca de R$ 42.553,36 no mesmo ano, um dos mais elevados da Região Norte. Esses indicadores demonstram que, embora ainda abaixo da média nacional, o Tocantins possui uma capacidade produtiva significativa, que precisa ser mais bem distribuída e transformada em desenvolvimento social efetivo para sua população, com acesso a oportunidades dignas.
É nesse contexto que a sociedade tocantinense precisa se perguntar: que tipo de projeto de governo é colocado em disputa nas eleições estaduais? As candidaturas que se apresentam até agora, em grande parte, repetem discursos tradicionais, sem colocar no centro do debate os grandes desafios do Estado, como a promoção de um desenvolvimento que seja inclusivo, sustentável e que respeite as diversidades regionais e municipais.
O Tocantins precisa de uma alternativa política que dialogue com os prefeitos, que respeite a autonomia municipal e que reconheça os desafios reais enfrentados nos territórios. A política não pode ser feita apenas a partir de Brasília ou da capital, ela precisa escutar e integrar as vozes das pequenas cidades e dos bairros das grandes cidades que compõem o nosso Estado e sociedade.
A ideia de um Tocantins mais republicano e democrático não é um slogan. É a necessidade de um projeto que uma autoridade fiscal, planejamento estratégico e participação social, assegurando que as riquezas produzidas no Estado cheguem às mãos de quem mais precisa: das famílias, dos produtores rurais, dos trabalhadores urbanos e rurais, dos pequenos empreendedores e dos jovens que buscam emprego e renda.
A promoção do desenvolvimento sustentável exige políticas públicas que promovam emprego, renda, educação de qualidade e serviços públicos eficazes. Exige, também, que as instituições sejam fortalecidas e que a sociedade tenha mecanismos reais de controle social, para acompanhar e fiscalizar as ações do poder público. Isso é democracia e isso é republicano.
Nesse contexto, mais do que lançar nomes ou repetir fórmulas, o momento pede a construção de uma alternativa política que possa representar, de forma legítima, os interesses da população tocantinense. Não uma alternativa construída em gabinetes fechados, mas um caminho que surja do diálogo com os prefeitos, com as lideranças locais, com as classes trabalhadoras e com a sociedade civil organizada.
O republicanismo que precisa orientar esse novo caminho passa, necessariamente, pelo respeito à autonomia dos municípios, pela cooperação institucional e pela superação da lógica de subordinação política que, historicamente, fragiliza a gestão local. Prefeitos não podem ser tratados como adversários ou meros executores de decisões centralizadas. Eles são parceiros estratégicos na construção de políticas públicas eficazes.
Ao mesmo tempo, uma alternativa democrática exige escuta ativa da população, transparência nas decisões e compromisso com a redução das desigualdades sociais. O Tocantins não pode aceitar como natural a distância entre os que concentram riqueza e os que lutam diariamente para acessar direitos básicos. Um projeto de governo precisa assumir, de forma clara, o compromisso com a democratização da riqueza, a geração de emprego, trabalho e renda, o fortalecimento das políticas sociais e o desenvolvimento sustentável.
O que se observa até o momento é que nenhuma das candidaturas que se anunciam coloca esse debate de maneira central. Fala-se muito de alianças, pouco de projeto. Muito de disputa, pouco de futuro. Diante disso, cresce na sociedade a percepção de que é necessária uma nova alternativa política, que recupere o sentido público do Estado e reconecte a política às necessidades concretas do povo tocantinense.
Este artigo não propõe nomes, nem lança candidaturas. Ele aponta uma necessidade histórica e política: a de que surja uma alternativa capaz de combinar republicanismo, democracia e presença responsável do Estado, construindo um pacto político amplo em favor do desenvolvimento do Tocantins e da melhoria real das condições de vida da sua população.
Este é apenas o início de uma reflexão mais ampla. Em outros artigos, trataremos de temas fundamentais como políticas públicas, controle social, endividamento público, democratização fiscal, marcos regulatórios e diálogo direto com a população tocantinense. O objetivo é contribuir para qualificar o debate público e ajudar a construir um horizonte político à altura dos desafios e das potencialidades do nosso Estado.
O Tocantins tem condições de escrever uma nova história. Para isso, precisa de coragem política, compromisso democrático e um projeto que coloque o interesse público acima de interesses circunstanciais. O tempo das convenções se aproxima. O tempo do debate responsável precisa começar agora.
Witer Fonseca Naves, observador atento da vida política tocantinense; Naves é Doutorando em Geografia pela UFG, Professor universitário de Geografia Política, com mestrado em Geografia Eleitoral. É também membro do OPTE - Observatório de Políticas Territoriais e Educacionais -UFT e do LEPPEM/ Laboratório de Estudos Políticos e de Pesquisa da Metrópole -UFRRJ e é professor a 32 anos.
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