A revolução invisível da Inteligência Artificial

Por que a tecnologia que já escreve, cria imagens e até ajuda médicos promete mudar o nosso futuro imediato

Crédito: Divulgação

Você já conversou com uma máquina hoje? Talvez sim, sem perceber. O algoritmo que recomendou o próximo vídeo, a voz que atendeu seu pedido no celular ou a sugestão de rota no aplicativo de trânsito — todos são exemplos de inteligência artificial (IA) em ação.

 

 

Vale lembrar que a tecnologia, antes restrita a laboratórios e filmes de ficção científica, está cada vez mais presente em situações do cotidiano, na palma da mão de cada ser humano, digo no seu aparelho de celular mesmo. E a grande novidade são as chamadas IAs generativas: sistemas capazes de criar textos, músicas, imagens e até códigos de computador.

 

 

Para que você possa entender melhor, pense em um enorme “cérebro digital”, com bilhões de conexões matemáticas. Esse cérebro aprende observando padrões em trilhões de palavras, imagens e sons. Com isso, consegue prever a próxima palavra de uma frase, desenhar uma cena a partir de uma descrição ou até simular uma conversa natural.

 

 

Esses cérebros artificiais são conhecidos como modelos de linguagem de grande escala (LLMs). Nomes como GPT, Gemini e Claude já se tornaram referência mundial. Eles são os motores por trás de chats inteligentes, tradutores instantâneos e até de ferramentas que auxiliam médicos em diagnósticos.

 

 

Mas nem tudo são flores. Esses sistemas, às vezes, “alucinam” — isto é, inventam informações que não existem, mas apresentam como se fossem verdadeiras. Também podem reproduzir preconceitos presentes nos dados com que foram treinados. E o custo ambiental é significativo: treinar essas máquinas exige quantidades gigantescas de energia elétrica.

 

 

Apesar dos riscos, os impactos já são visíveis. Profissões criativas — como a de redatores, designers e programadores — passam por mudanças profundas. Tarefas antes demoradas agora podem ser feitas em segundos. Ao mesmo tempo, surgem novas funções: gente que supervisiona, revisa e dá direção ao que as máquinas produzem.

 

 

No tabuleiro internacional, a disputa por liderança em IA se tornou uma verdadeira corrida tecnológica entre China e Ocidente. Enquanto o governo chinês subsidia modelos baratos e acessíveis, empresas como OpenAI, Google e Anthropic investem bilhões em tecnologia de ponta, segurança e expansão global.

 

 

Essa polarização pode afetar países como o Brasil, que buscam equilibrar custo, eficiência e privacidade. Afinal, qual modelo adotar? O barato chinês ou o robusto ocidental? A escolha não é apenas tecnológica, mas também política e econômica.

 

 

No fundo, a grande promessa da inteligência artificial não é substituir pessoas, mas ampliar a capacidade humana. Seja automatizando processos, seja personalizando experiências ou ajudando na descoberta científica, a IA se apresenta como uma parceira de criação. O desafio está em garantir que essa parceria seja ética, justa e sustentável.

 

 

Essas reflexões e análises estão reunidas no livro Explicando sobre Inteligência Artificial – Conceitos Fundamentais, do poeta e pesquisador Leonardo Luiz Ludovico Póvoa. A obra, escrita em linguagem acessível, traz uma visão clara sobre como as IAs funcionam, suas promessas e seus riscos. Quem desejar conhecer o livro pode entrar em contato diretamente com o autor.

 

 

Referências destacadas na obra

RUSSELL, S.; NORVIG, P. Artificial Intelligence: A Modern Approach. Pearson, 2021.
 

GOODFELLOW, I.; BENGIO, Y.; COURVILLE, A. Deep Learning. MIT Press, 2016.
 

BENDER, E. M. et al. (2021). On the dangers of stochastic parrots. ACM FAccT ’21.
 

BOMMASANI, R. et al. (2021). On the opportunities and risks of foundation models. arXiv:2108.07258.
 

OPENAI. (2023). GPT-4 Technical Report. arXiv:2303.08774.

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