Acordo Mercosul-União Europeia deve impulsionar PIB e empregos no Brasil, diz Kátia

Em análise sobre o Fórum de Davos, iniciado na segunda, 19, a ex-ministra destaca que redução do desmatamento foi essencial para destravar o tratado que cria um mercado de 22 trilhões de dólares.

Crédito: Roque de Sá/Agência Senado/Arquivo

A ex-ministra da Agricultura e ex-senadora Kátia Abreu classificou o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia como o evento geopolítico mais relevante da atualidade. Segundo ela, o tratado — que une blocos que somam 25% do PIB global — coloca o Brasil no centro das atenções no Fórum de Davos, superando pautas como inteligência artificial e transição energética. O evento está acontecendo na Suiça desde segunda-feira, 19. 

 

 

Para Kátia Abreu, a concretização do acordo é uma vitória estratégica que retira o Brasil e o Mercosul do isolamento comercial. Ela aponta que a Europa agiu por "inteligência geopolítica" para não perder espaço na América do Sul para potências como Estados Unidos e China.

 

 

 

"O Brasil é a noiva disputadíssima da cidade. A Europa percebeu que estava ficando exprimida e decidiu fechar esse grande acordo, que faz balançar as estruturas das grandes potências", afirmou.

 

 

Empregos e PIB

Numa análise sobre os impactos futuros do acordo, Kátia Abreu destacou destacou que o Brasil será o maior vencedor dentro do bloco. Com base em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a ex-ministra afirma que o o PIB brasileiro terá um incremento estimado em 0,43% e que isso vai gerar empregos, aém de abrir novos mercados para o país. 

 

 

 

"A cada R$ 1 bilhão exportado para a União Europeia, cerca de 22 mil novos postos de trabalho devem ser criados no país", afirma Kátia Abreu ao observar que a exportação de produtos será um dos benefícios imediatos. Entre os produtos, estão etanol, café, suco de laranja e frutas, calçados e motores elétricos

 

 

 

O entrave ambiental e os juros internos

Apesar do otimismo com o mercado externo, Kátia Abreu não poupou críticas à política monetária nacional. Ela classificou a taxa de juros real de 10% ao ano como "inexplicável" e um risco à sustentabilidade da dívida pública, afirmando que o índice é motivo de "chacota" entre investidores internacionais.

 

 

Sobre o atraso na assinatura do acordo, que tramitava há 25 anos, a ex-ministra foi enfática ao relacionar o progresso atual à agenda ambiental. Segundo ela, o aumento do desmatamento, especialmente na gestão do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, paralisou as negociações. "A questão ambiental nos deu prejuízo. Graças à redução de 50% no desmatamento neste três anos do governo do presidente Lula, recuperamos a credibilidade para que os europeus assinassem o acordo", pontuou.

 

 

Próximos passos

O acordo entra agora em fase de ratificação pelos parlamentos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A redução de tarifas será gradual, dividida em etapas que variam de abertura imediata a prazos de 10 a 15 anos para setores mais sensíveis, garantindo também a proteção de selos de origem, como o do queijo da Serra da Canastra.

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