Acusado de matar vigilante em Palmas é preso; suspeito usou filho como "escudo"

Foragido desde novembro de 2025, Waldecir José de Lima Júnior foi capturado na região sul da capital nesta segunda-feira, 23

Waldecir foi preso na manhã desta segunda, 23, na Região Sul de Palmas
Descrição: Waldecir foi preso na manhã desta segunda, 23, na Região Sul de Palmas Crédito: Divulgação PCTO

A Polícia Civil do Tocantins prendeu na manhã desta segunda-feira, 23, Waldecir José de Lima Júnior, de 40 anos, apontado como o autor do homicídio que vitimou o vigilante Dhemis Augusto Santos, de 35 anos.

 

O crime ocorreu no final de novembro de 2025, no estacionamento do Aldeia Mall (Arso 21, antiga 203 Sul), no centro de Palmas. A vítima foi morta com um tiro no abdômen após uma discussão motivada pela forma como um veículo havia sido estacionado.

 

O desfecho da "Operação Vigilante" encerra uma busca que durou quase quatro meses. Durante coletiva de imprensa realizada na sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP), o delegado Israel Andrade, da 1ª Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (1ª DHPP), revelou detalhes dramáticos do momento da captura, ocorrida em uma residência de familiares do suspeito.

 

Segundo o delegado, ao perceber a chegada dos agentes para o cumprimento do mandado de prisão preventiva, Waldecir tentou se esconder debaixo de uma cama, posicionando-se sob o próprio filho de 12 anos, que dormia no momento.

 

"Ele se escondeu debaixo do filho, fazendo do filho o tempo todo de escudo humano. Isso mostra a frieza dele", relatou o delegado Israel Andrade, que aproveitou a ocasião para desmentir boatos que circulavam de que o suspeito planejava se entregar à polícia de forma voluntária.



"Isso é mentira. Ele mesmo me falou que veio para o aniversário do filho. A polícia chegou até ele através da investigação e da insistência. Se houvesse a intenção de se entregar, ele teria levantado as mãos, e não se escondido debaixo do filho", destaca o delegado.

 

Fuga financiada por rede de apoio

Logo após o crime, que gerou grande repercussão e comoção popular, Waldecir conseguiu escapar. Os policiais chegaram a ir à residência do atirador horas após o assassinato, mas encontraram apenas o veículo utilizado na fuga, escondido sob uma lona e ainda com o motor quente.

 

Com a prisão preventiva decretada pela Justiça no dia seguinte ao crime, o homem deixou o Tocantins amparado por uma rede de apoio, especialmente de familiares. Ao longo dos últimos meses, o foragido circulou por cidades do estado de Goiás, como Goiânia, Trindade e Anápolis.

 

O monitoramento ininterrupto, no entanto, indicou que Waldecir havia retornado a Palmas nos últimos dias. Para evitar uma nova fuga ou uma operação frustrada, a Polícia Civil organizou o cerco de forma sigilosa na manhã desta segunda-feira, culminando na invasão autorizada da casa onde ele se escondia.

 

Inquérito na reta final

Durante a coletiva, as autoridades de segurança fizeram questão de afastar qualquer suposição de que o poder aquisitivo do suspeito estaria atrasando a prisão. "Não tem classe social, não tem condição financeira que nos impeça de ir atrás de criminosos", garantiu o delegado Israel Andrade.

 

Tanto o secretário de Estado da Segurança Pública, Bruno Azevedo, quanto o delegado-geral da Polícia Civil, Claudemir Luiz Ferreira, classificaram o êxito da operação como uma resposta técnica, persistente e necessária à sociedade tocantinense diante da gravidade do episódio.

 

Após ser retirado de seu esconderijo sob a cama, Waldecir José de Lima Júnior não ofereceu resistência física. Ele foi conduzido à sede da 1ª DHPP para interrogatório, passou por exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e foi transferido para a Unidade Prisional de Palmas, onde ficará à disposição do Poder Judiciário.

 

Como a Polícia Civil utilizou o período em que o homem estava foragido para adiantar as oitivas de testemunhas, coleta de imagens e elaboração de laudos periciais, o inquérito policial já está praticamente finalizado. O relatório final com o indiciamento do autor deverá ser remetido ao Ministério Público nos próximos dias.

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