O sonho de cursar Medicina parecia distante para Nicolas Noleto Ribeiro, de 18 anos, até pouco tempo atrás. Estudante do Centro de Ensino Médio (CEM) Benjamim José de Almeida, em Araguaína, Nicolas é o rosto de uma geração de alunos da rede pública que está rompendo barreiras. Recentemente, ele celebrou a aprovação para o curso de Medicina na Faculdade de Ciências do Tocantins (Facit), conquistada via Prouni com sua nota do Enem.
A trajetória de Nicolas é marcada pela dedicação às ciências exatas. O jovem já acumulava vitórias antes mesmo do vestibular: foi medalhista de ouro na etapa estadual e bronze na nacional da 19ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). “Eu estou muito animado. Sempre fui fascinado pela área de ciências biológicas e, agora, vou estudar a mais bela criação de Deus, que é o corpo humano, e poder ajudar pessoas”, conta o futuro médico, que viu seu interesse pela profissão despertar na reta final do ensino médio.
Mas Nicolas não está sozinho nessa celebração. A escola tornou-se um verdadeiro celeiro de aprovações em 2024. Outro exemplo marcante é o de Maykon Santos da Silva, de 19 anos, aprovado em Biomedicina na Unopar. Para ele, o período escolar foi uma fase de amadurecimento crítico e pessoal. “A escola representou uma mudança de vida. Aprendi o valor do conhecimento, a saber argumentar e a ter consciência do que falamos. Saí com tanta vontade de estudar que faria vários cursos superiores se fosse possível”, relata Maykon.
O sucesso coletivo da turma é refletido em números expressivos: sete alunos do colégio alcançaram notas iguais ou superiores a 900 pontos na redação do Enem, um dos critérios mais rigorosos do exame. Esse desempenho é fruto de uma rotina intensa de simulados e avaliações semanais, além de um foco especial no componente curricular "Projeto de Vida", que leva os estudantes para dentro das universidades da região para conhecerem laboratórios e a rotina das profissões antes da escolha definitiva.
Para os estudantes, o diferencial foi o modelo de ensino integral e a proximidade com o corpo docente. Nicolas destaca que, embora as exatas tenham garantido a pontuação necessária, foram os professores de humanas que abriram seus olhos para o mundo. “Os professores são extremamente didáticos. O ensino integral ajuda muito a condensar tantos conteúdos em um ano”, reforça.
Suporte da Rede de Ensino Estadual
Sobre o desempenho do alunado, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) avalia que, ao implementar políticas que fortalecem o ambiente escolar, desempenha papel fundamental. Como exemplo, a Seduc cita programas como o de Fortalecimento da Educação (PROFE) e o investimento na gestão escolar, com a seleção criteriosa de diretores, criaram as condições para que os professores pudessem focar na excelência pedagógica.
A Seduc ressalta que, esse respaldo institucional permitiu que as escolas priorizasse formações específicas para professores, especialmente na área de redação, e mantivessem uma rotina rigorosa de simulados voltados para o Enem. Além disso, as parcerias da Seduc com instituições de ensino superior facilitaram o contato direto dos alunos com o universo acadêmico, por meio de visitas a laboratórios e orientações sobre o "Projeto de Vida", ajudando-os a transformar o esforço em sala de aula em aprovações reais.
O sucesso coletivo no CEM Benjamim José de Almeida reflete a diversidade de sonhos alcançados. Além de Medicina e Biomedicina, a lista de aprovados se estende por diversas áreas. Entre elas, Direito: Dhébora, João Paulo, Clarice e Jean Carlos; Saúde: Guilherme e Raiany Ribeiro (Farmácia), Beatriz Carvalho (Biomedicina) e Izzac Moreira (Biomedicina/Engenharia Civil); e Exatas e Comunicação: Carlos Daniel (Engenharia Civil) e Wátina (Propaganda e Publicidade).
Na análise da Seduc, com sete alunos alcançando a marca histórica de mais de 900 pontos na redação do Enem, a comunidade escolar de Araguaína reafirma que a escola pública, quando bem estruturada e abraçada pelos seus alunos, é um poderoso trampolim para o futuro.
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