Após estudo antropológico realizado pela Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot), o povo Kanela, do Tocantins, poderá retificar seus registros civis na Justiça tocantinense, incluindo a etnia em seus sobrenomes e o nome indígena de sua escolha.
“Os Kanela vivem há muitos anos em território tocantinense. Essas famílias passam a ter maior visibilidade e acesso a serviços essenciais, garantindo dignidade e melhores condições de vida”, destaca o secretário de Estado dos Povos Originários e Tradicionais, Ercivaldo Xerente.
O levantamento da Sepot identificou a presença de mais de 480 indígenas em território Kanela e foram encontrados vestígios culturais que contribuíram para a comprovação do reconhecimento da comunidade, como as ruínas da antiga aldeia e o Cemitério dos Velhos, localizado na Fazenda Pindaíba, em Araguaçu.
O estudo concluiu que os indígenas fazem parte da Aldeia Crim Patehi, localizada no município de Lagoa da Confusão. O trabalho evidenciou a importância do nome civil indígena, que simboliza o pertencimento ao grupo social e representa, para as comunidades indígenas, um marco de sua ancestralidade.
“O trabalho antropológico realizado em campo foi fundamental para comprovar suas manifestações culturais, organização social e trajetória histórica e a identificação dos cemitérios ancestrais também reforça a ligação com o território”, ressalta a antropóloga da Sepot, Patrícia Maia.
O estudo foi protocolado no Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) e na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), com a solicitação de reconhecimento dos Kanela do Tocantins. Neste ano, o estudo foi aprovado e o território da Aldeia Crim Patehi foi estabelecido em solo tocantinense.
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