Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT) emitiu um alerta para o aumento de acidentes com arraias de água doce em Araguaína e municípios vizinhos. O risco se intensifica entre os meses de junho e setembro, período de estiagem na região, quando o recuo das águas e a maior frequência de banhistas em rios e lagos propiciam os incidentes nas áreas rasas.
Os ataques ocorrem de forma defensiva. O médico residente da Clínica Médica da unidade, Ítalo Salera, explicou a dinâmica do ferimento. “O ataque acontece quando o banhista pisa sobre as costas da arraia. Ela dá uma espécie de ‘chicotada’ com a cauda, onde está localizado o ferrão, provocando o ferimento”, afirmou. O ferrão, que possui anatomia semelhante à de um arpão, injeta toxinas que causam dor intensa e imediata, sangramento e risco de necrose dos tecidos.
Para reduzir as chances de incidentes, o especialista recomendou atenção redobrada antes de entrar na água, evitando áreas muito turvas, com lodo ou vegetação densa que prejudiquem a visibilidade do fundo. A principal técnica de prevenção ao caminhar em rios é arrastar os pés na areia em vez de dar passos normais, o que ajuda a afugentar o animal.
“Se estiver [lamacenta], o ideal é evitar. Caso aconteça o acidente, é preciso retirar a pessoa da água imediatamente e lavar bem o local do ferimento com água e sabão, porque isso ajuda a remover resíduos presentes no ferrão, onde podem estar bactérias causadoras de infecção”, orientou Salera.
O protocolo médico contraindicou de forma absoluta o uso de torniquetes ou a aplicação caseira de substâncias como fumo, pó de café e açúcar sobre a ferida, medidas que agravam o risco de contaminação bacteriana profunda.
“O local atingido pode ficar vermelho, apresentar sangramento e evoluir para uma infecção. Bactérias são levadas para o interior do tecido lesionado pelo ferrão e, à medida que a infecção progride, podem surgir febre, inchaço, vermelhidão e dor persistente”, detalhou o médico, que acrescentou que os pacientes também passam por avaliação da cobertura vacinal contra o tétano.
Guia de Primeiros Socorros:
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O que fazer: Retire a vítima da água imediatamente, lave o local exaustivamente com água limpa e sabão e aplique água morna para ajudar a neutralizar a dor provocada pela toxina.
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O que NÃO fazer: Nunca faça torniquetes (garroteamento), não tente cortar o local para extrair o veneno e não aplique produtos caseiros sobre a lesão.
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Atendimento: Encaminhe o acidentado ao serviço de saúde mais próximo para a limpeza profunda, remoção de possíveis fragmentos do ferrão e manejo medicamentoso.
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