Secult reúne dicas culturais para o início do ano com produções do Tocantins

Lista inclui videoclipes, documentários, livros, exposições e projetos musicais contemplados por editais da Pnab e da Lei Paulo Gustavo

Crédito: Marco Antônio Gama/Governo do Tocantins

O Tocantins vive um início de ano marcado pela diversidade e pelo fortalecimento da produção cultural, impulsionados por políticas públicas de fomento e editais que ampliam as oportunidades de criação, circulação e acesso às artes. Nesse cenário, a Secretaria da Cultura do Tocantins (Secult) organizou um compilado de indicações para o público assistir, ler, ouvir e visitar, reunindo projetos de música, audiovisual, literatura e artes visuais – muitos deles contemplados por iniciativas executadas via Política Nacional Aldir Blanc (Pnab) e Lei Paulo Gustavo (LPG). Confira:

 

Videoclipes

Entre essas produções, estão alguns videoclipes de diferentes estéticas e narrativas, como a obra que transforma o amor em metáfora de destruição e renascimento, chamada  “Atômico”, do cantor Chiko Chocolate, a partir de uma letra escrita junto ao poeta e jornalista Ronaldo Teixeira. Também está disponível para visualização o clipe “Roda a Saia”, da cantora Núbia Dourado, que celebra o movimento, a força feminina e a identidade cultural tocantinense.

 

Outra produção musical tocantinense disponível para apreciação é o videoclipe  “Instável”, do grupo Poetas do Caos, que dialoga com inquietações contemporâneas e experimentações sonoras. Enquanto a banda ‘Móia Cumbia’ apresenta a faixa “Derreter”, com estética vibrante e dançante.

 

Documentários

No campo do audiovisual, documentários e séries revelam territórios, histórias e saberes do Tocantins. O documentário “Miracema – O Tempo é Agora”, transforma a primeira capital do estado em protagonista por meio da fotografia e da memória visual, sem o uso de narrador ou entrevistas.

 

Também integra a lista a série  “Entre a Resistência e a Erosão” que, em três episódios, mostra a realidade de comunidades quilombolas do município de Esperantina, no Bico do Papagaio, abordando desafios contemporâneos, saberes tradicionais e estratégias de permanência nos territórios ancestrais.

 

Ainda no formato de curta-metragem, a produção “Dona Regina, o Labirinto e o Tempo”, realizada pela Assessoria de Comunicação da Secretaria da Cultura do Tocantins, mergulha na história de uma artesã centenária de Pedro Afonso, guardiã da técnica ancestral do labirinto e da transmissão de conhecimentos entre gerações.

 

A produção audiovisual também se apresenta como espaço de reflexão sobre as artes visuais. O mini documentário “Entre Gravuras e Traços — A arte brasileira abraça o Tocantins” apresenta a exposição de mesmo nome, realizada no Palácio Araguaia em outubro de 2025, com obras modernistas doadas ao Estado pelo Banco Central do Brasil.  O vídeo percorre o histórico das obras, reflexões sobre o modernismo e a técnica da gravura, além das impressões do público que visitou a mostra.

 

A diversidade cultural do estado também é retratada em produções seriadas, como “Mosaicos do Tocantins”, disponível no YouTube, que documenta identidades locais, povos indígenas e personagens da cultura regional.

 

Já a série “Mapeamento dos Produtores de Cachaça do Tocantins”, composta por seis episódios, percorre municípios do sudeste do estado valorizando a produção artesanal da cachaça e os saberes envolvidos em todo o processo, produzida com o apoio da Secult.

 

O  filme “Meu Norte é o Bico”, da artista Sara Gomes (Leoa do Norte), nascido inicialmente como espetáculo e posteriormente transformado em filme, está disponível para visualização online. O trabalho protagoniza a existência e os costumes de um povo historicamente preterido nas divisões territoriais, conduzindo o público por cenas do cotidiano, das festas, do trabalho e da fé do Bico do Papagaio, entre rios, cantorias, festejos e saberes tradicionais.

 

Literatura

A literatura ocupa lugar de destaque entre os projetos tocantinenses impulsionados por diferentes iniciativas de fomento cultural. Um dos exemplos é “Corpilhas”, da escritora tocantinense Luciana Andradito, obra também disponível em formato de audiolivro, que aprofunda uma escrita poética conectando paisagens externas e territórios emocionais.

 

Outro destaque é “A Mata que Cura”, de Felisberta Pereira da Silva, que compartilha conhecimentos tradicionais sobre plantas do cerrado a partir de sua trajetória em Natividade, reunindo saberes que atravessam corpo, mente e espiritualidade.

 

Já “Corruptos: um ser típico em um mundo atípico”, de Youssef Carvalho, propõe uma reflexão sensível sobre diferenças e valores humanos, em um futuro distante, onde o planeta é governado pela Concórdia Quântica, uma inteligência artificial que mantém a ordem perfeita e o controle absoluto sobre a vida de seus habitantes, os roubanos. 

 

Voltada ao público infantil, a obra “Tocantins de África – histórias de dois mundos”, de Wátila Misla, aborda a presença afrodescendente no estado por meio de textos poéticos, ilustrações e recursos acessíveis.

 

Entre as obras elencadas também está “Algibeira dos Olhos”, livro que reúne mais de 70 poemas sobre amor, memória, pertencimento, corpo, política e ancestralidade. A escrita, marcada pela oralidade,  carrega a  experiência do autor Tácio Pimenta como nordestino, migrante e tocantinense por escolha. A obra está disponível também em formato de audiolivro, com acesso gratuito.

 

Outro destaque é o livro comemorativo “15 anos Lamira”, lançado pela companhia de artes cênicas, de Palmas, que celebra a trajetória do grupo por meio de memórias, processos criativos, imagens e histórias de uma pesquisa artística que une dança, teatro e circo.

 

Já a escritora e pesquisadora Roseli Bodnar apresenta em “Literatura e Doçuras – Sabores e Memórias Afetivas” um percurso construído a partir das tradições culinárias de sua família, reunindo  receitas ucranianas e austríacas adaptadas às vivências da autora no Tocantins, onde reside há duas décadas.

 

Também integra esse conjunto o livro “Histórias que eu não contei”, de Fernando Schiavini, que reúne narrativas vividas em aldeias indígenas e cidades da Amazônia, a partir de experiências iniciadas na década de 1970, quando o autor atuou pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A obra pode ser adquirida por meio do WhatsApp (63) 98116-6489.

 

Com caráter pedagógico e compromisso com a educação antirracista, a cartilha “Suça no Quilombo – Chapada da Natividade (TO)”, de Roberta Tavares de Albuquerque, apresenta a história da comunidade quilombola da Chapada da Natividade e da Suça, manifestação cultural tradicional do território. O material dialoga diretamente com a Lei nº 10.639/2003, contribuindo para o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana nas escolas, além de valorizar saberes, memórias e práticas culturais locais.

 

Artes visuais

As artes visuais também seguem em evidência com exposições que ampliam o diálogo entre memória, identidade e criação contemporânea. O projeto “Invasão do Pequi 2” reúne obras dos artistas Felipe Supernaut e Leromanual no Blackbird Estúdio e Bar, em Palmas, articulando música e artes visuais em um mesmo processo criativo.

 

Já a exposição “Entre Gravuras e Traços” segue aberta à visitação gratuita no hall da Secretaria da Cultura, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.

 

Outro destaque é a exposição “18 anos de história para contar”, em cartaz na Galeria Municipal de Artes no Espaço Cultural, que convida o público a uma imersão na trajetória, dos saberes e da paixão que constroem a cultura junina tocantinense. A mostra, organizada pela Federação de Quadrilhas Juninas do Tocantins (Fequajuto), reúne registros históricos, figurinos, ornamentos, uma peça interativa e um videodocumentário, celebrando as pessoas e os coletivos que fizeram dessa tradição uma referência cultural reconhecida nacionalmente.

 

Também segue em cartaz até 11 de fevereiro, no Palácio Araguaia, em Palmas, a exposição Antropogênico, do artista Daniel Taveira com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. A mostra fotográfica explora o surrealismo e a estética distópica como linguagem para refletir sobre os impactos das mudanças climáticas, a ação humana sobre o meio ambiente e a urgência da preservação da natureza.

 

Música

A música integra essas indicações com projetos que dialogam entre tradição e contemporaneidade. Um dos exemplos é o “Tocantins em Concerto”, que apresenta a música popular tocantinense em arranjos orquestrais. Sob a direção artística do maestro Bruno Barreto, a Orquestra Viva Música se une aos mestres Juraildes da Cruz, Dorivã, Braguinha Barroso e Lucimar, em um encontro emocionante entre a música clássica e a canção popular regional.

 

Outra forma de consumir a produção musical local é por meio da playlist criada pela Secult, que reúne diversas composições de artistas tocantinenses.

 

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