Em Carta Aberta, divulgada nesta sexta-feira, 16, o Sindicato dos Jornalistas do Estado do Tocantins (Sindjor-TO) subiu o tom contra a gestão de Wanderlei Barbosa (Republicanos). O documento, endereçado ao governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e ao secretário de Comunicação, Marcio Rocha, manifesta a "exaustão" da categoria diante do que classificam como desvalorização profissional e uso político de áreas que deveriam ser estritamente técnicas.
O foco da denúncia reside na nomeação de pessoas sem formação ou competência técnica para cargos de chefia, diretoria e assessoria. Segundo o sindicato, essa prática demonstra que a comunicação pública no estado tem sido tratada para atender a interesses particulares em detrimento dos princípios constitucionais da transparência, publicidade e impessoalidade.
"Estamos cansados de sermos alijados dos processos de gestão e comunicação, mas na hora das crises, da imagem manchada, da necessidade de limpar a bagunça deixada por quem não tem conhecimento e técnica, aí se lembram de nós", diz um dos trechos mais contundentes da carta, assinada pela presidente da entidade, jornalista profissional Alessandra Bacelar.
Nomeação na Sepot
O Sindjor-TO lamentou especificamente uma escolha feita na Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais (SEPOT). De acordo com a entidade, o nomeado para a área de comunicação possui um perfil estritamente político e deveria ocupar outra função, já que sua atuação como "interlocutor" ignora as necessidades estratégicas e técnicas da pasta.
Essa não é a primeira vez que o Sindjor-TO denuncia nomeações desta natureza. Em 2025, casos semelhantes ao da Sepot ocorreram e, após manifestação do Sindjor, o Governo do Estado retrocedeu nas nomeações.
O sindicato criticou o fato de o governador permitir tal postura de seus gestores e apontou a omissão da Secretaria de Comunicação do Estado (Secom) em não orientar os colegas sobre a importância da qualificação profissional no setor.
Cobrança por Respeito
A nota termina com um ultimato, exigindo que o jornalismo seja tratado com a seriedade que a gestão pública requer. Para o Sindjor, a comunicação não pode ser "moeda de troca" ou um espaço para "brincar de fazer gestão".
Posição do Governo do Estado/Secom
O T1 Notícias solicitou da Secom, uma manifestação sobre a situação, mas até o momento não recebeu retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.
Confira aqui a nota na íntegra:
Carta aberta ao Governador Wanderlei Barbosa e ao Secretário Marcio Rocha,
Estamos exaustos e cansados de sermos desrespeitados por uma gestão que brinca de fazer comunicação pública. Não é de hoje que oficiamos aos dois gestores as constantes desvalorizações à nossa categoria, pessoas de áreas diversas nomeadas no cargo de chefia, diretoria, assessoria de comunicação, demonstrando que a comunicação pública é tratada para atender aos interesses particulares e não à transparência, à publicidade e à impessoalidade das ações do governo.
A nossa classe exige respeito, estamos cansados de sermos alijados dos processos de gestão e comunicação, mas na hora das crises, da imagem manchada, da necessidade de limpar a bagunça deixada por quem não tem conhecimento e técnica, aí se lembram de nós.
Lamentamos muito que a SEPOT tenha feito escolha tão equivocada. O nomeado em questão deveria estar nomeado em outro cargo, já que ele quer ser interlocutor, demonstrado já de princípio ao que veio - ele é ser político - e como tal tem habilidades que poderiam muito bem ser usadas em outras áreas, não uma área tão estratégica e técnica.
Lamentamos que o governador permita tal postura dos seus gestores, e lamentamos que o gestor da comunicação não possa orientar os colegas em relação a essa situação.
Basta de negligência com a comunicação e o jornalismo.
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Tocantins - Sindjor-TO
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