O Tocantins registrou 609 casos de desaparecimentos em 2025, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O índice representa um crescimento de 9% em comparação ao ano anterior e coloca o estado na quarta posição entre as unidades da federação na Região Norte, que somou 5.245 ocorrências.
Segundo Mônica Brito, secretária executiva do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca-TO), os números revelam a urgência no fortalecimento das políticas de prevenção. Ela aponta falhas estruturais, como a falta de aparelhamento das delegacias e a inércia institucional em investigações de longa duração, como obstáculos para a solução dos casos.
No cenário nacional, o Brasil contabilizou 84.760 desaparecimentos em 2025, o equivalente a 232 registros diários. O volume total cresceu 4,51% em relação a 2024. Um recorte alarmante do Ministério da Justiça indica que crianças e adolescentes de até 17 anos compõem 28% das ocorrências, com 23.919 registros. Nesse grupo específico, as meninas são a maioria e representam 62% das vítimas. Os dados do Sinesp mostram ainda que o período entre sexta-feira e domingo concentra o maior volume de notificações no país.
Laura Vitória
Atualmente, o Tocantins integra o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, uma inclusão impulsionada pela sociedade civil após casos emblemáticos como o de Laura Vitória, desaparecida em 2016, em Palmas e cuja investigação segue aberta na Polícia Civil. De acordo com a Mônica Brito, apesar da integração tecnológica, o sistema ainda enfrenta desarticulação e falhas de comunicação entre os órgãos de segurança. "Daí porque, a orientação legal para familiares permanece clara: o boletim de ocorrência deve ser feito de forma imediata", afirma ao informar que a Lei da Busca Imediata estabelece que a investigação de desaparecimentos de menores de idade comece logo após a notificação, sem qualquer necessidade de aguardar prazos de 24 ou 48 horas.
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