O governo tem pela frente nos últimos 15 dias que faltam para terminar o ano, a missão de entregar o Estado pelo menos com a folha dos servidores públicos estaduais em dia. Não está fácil. É tanto, que ontem voltaram a correr nos bastidores a informação de que há problemas com a execução da segunda parcela do 13º salário. Além dela, no último dia do ano fiscal, especialmente num final de governo, deve ser creditado em conta para os milhares de servidores públicos, o salário de dezembro.
Em meio a tantas obrigações e responsabilidades, o governo já sinalizou aos fornecedores: o ano acabou para eles. Não há qualquer expectativa de pagamento mais este ano, a não ser para os que têm recebimentos de obras, convênios e serviços que dependem de recursos federais. Para estes, no caso dos recursos já se encontrarem disponíveis em conta, sem necessidade de contrapartida estadual, os pagamentos serão liberados. Com um detalhe além: o governo não quer deixar os cofres zerados para o sucessor. Então, a prioridade é dos “companheiros”. Nada mais justo, não? Justíssimo...
A dupla responsabilidade
Ao trabalhar com poucos recursos diante de despesas muito maiores neste final de ano, o governador Carlos Gaguim enfrentará o imperativo de cumprir duas responsabilidades: a social, que tem como homem público e a fiscal, que tem como gestor. A primeira o obriga a manter até o fim o compromisso político, já que representa um grupo, que pagará nos próximos embates eleitorais a conseqüência de seus atos de agora. A segunda está ligada ao seu futuro como gestor que será fatalmente cobrado, à luz da Lei de Responsabilidade Fiscal pelo que pagou, ou deixou de pagar.
Nos telefonemas que recebi ontem, dois tipos de devedores se mostravam preocupados com o que vem pela frente nos próximos dias. De um lado, servidores públicos com medo de não receber e assim, não conseguirem honrar seus próprios compromissos e programação de final de ano. De outro lado, profissionais que trabalharam na campanha e estão esperando receber. Sobre esses últimos, numa reunião, o governador teria dito: “devo, não nego, pago quando puder”.
Seria cômico, se não fosse trágico para tantos que não esperavam por essa no final.
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