Base aliada: Derval de Paiva tem a preferência do PT

O articulista Gilvan Nolêto nos traz um relato sobre a situação do PMDB para as eleições deste ano é o papel de Derval de Paiva, a quem considera o conciliador que poderá unir PT e PMDB. Confira!...

O PMDB passa por momentos decisivos. E não há mais tempo para demoradas reflexões. Ao melhor estilo Gaguim de ser, “é tudo ao mesmo tempo agora”. Assim, o secretário para assuntos parlamentares, Totó Cavalcante (PDT), competentemente convida dois bombeiros do PMDB, (Derval de Paiva e Manoel Bueno) para apagar os focos de incêndios entre os peemedebistas insatisfeitos e machucados. Acontece que setores do PT também podem ter planos para Derval (PMDB), em nome da conciliação na Base aliada.

Político de alto nível, com livre trânsito entre bombeiros e incendiários, Derval de Paiva (PMDB) sagrou-se um “administrador revelação” ao assumir a prefeitura de Palmas em quatro oportunidades, na gestão do PT em que foi vice do atual prefeito da Capital, Raul Filho. E é nesse contexto de “competência política e êxito administrativo” que importantes ícones do PT estadual se referem a Derval de Paiva, como o “elo capaz de unir PMDB e PT para os embates de outubro deste ano”. Essa seria a alternativa do PT para uma composição, haja vista que nem Gaguim (PMDB), nem Paulo Mourão (PT) abrem mão da cabeça de chapa.

Histórico no MDB, desde seu nascimento em março de 1966, quando foi o terceiro na lista de fundação do partido em Goiás, Derval de Paiva foi deputado federal pelo Estado do Tocantins durante o governo de Moisés Avelino e sempre teve bom trânsito na cúpula nacional do partido, chegando a receber em sua fazenda, o então governador de São Paulo, Orestes Quércia e até mesmo saudoso Ulisses Guimarães, em 1992. Assim, “com o profundo respeito que o PMDB nacional tem por Derval, bem como o partido do governo Lula, no Tocantins, basta um sinal verde do governador Gaguim, para que a unanimidade seja selada na base aliada”, avalia um líder petista.

Ao me referir à missão de Derval e Bueno, talvez a expressão ideal não seja bombeiros e sim curandeiros, haja vista os hematomas que ainda afligem a tantos peemedebistas, machucados pelas cotoveladas recebidas no Governo Gaguim (PMDB), na ânsia de aglutinar, a qualquer custo, gregos, troianos e baianos. E aí, meus amigos, haja curativos e até benzedeiras, democraticamente, conforme o credo.

Na verdade essas cotoveladas triplicaram porque também foram desferidas pela má fé de secretários de Estado que se aproveitando do cargo, perseguiram e continuam a perseguir peemedebistas. Mas o débito não tem recaído na conta dele, nem do deputado que o indicou, e sim, na conta do governador que os tolera, em nome da coalizão que o elegeu, sob o silêncio do presidente do PMDB. Quem sabe, por essa razão a comissão seja mais exitosa que as ações do presidente peemedebista.

Com habilidade de quem já presidiu o partido em 1992, na maleta da conciliação, Derval de Paiva, que também sofreu hematomas, leva consigo citações de Pablo Neruda, para dizer que não tem tempo para suas dores. Em sua argumentação pacificadora, ele acrescenta que não há mais tempo para se encontrar culpados e que agora é a hora é de aparar arestas e organizar a casa para receber os amigos, os outros partidos da base aliada, haja vista a fragilidade que uma chapa puro-sangue representaria no cenário atual.

“Defendo que uma candidatura só de peemedebistas é imprudência, como não ter chapa é sinal de fraqueza, sobretudo não havendo uma em nível nacional. Não personalizo. Cabe ao partido homologar ou não os nomes. Seja quem for o escolhido, estarei de uniforme defendendo a bandeira do partido. Sou peemedebista”, declara.

Questionado sobre a chapa dos sonhos para as eleições deste ano, Derval de Paiva, com a sonoridade de um Nelson Gonçalves, responde: “nem às paredes confesso”.

PMDB: acéfalo de presidente?

 

Para aparar arestas internas no PMDB o Governo do Estado parece trabalhar em várias frentes. O secretário Totó Cavalcante (PDT) costura por um lado, na Assembléia Legislativa, a deputada Josi Nunes (PMDB) convida à ação política, enquanto a comissão conciliadora apara arestas entre os peemedebistas descontentes com as sequelas causadas pela coalizão.

Choque de realidade

Na árdua missão de aglutinar, a deputada Josi Nunes (PMDB), líder do governo na Assembléia Legislativa fez o dever de casa. Ela pediu mais ação por parte do presidente estadual da sigla, deputado federal Osvaldo Reis. Na prática a deputada submeteu Reis a um choque de realidade. Há muito, Osvaldo Reis precisava ser chamado às responsabilidades próprias de um líder partidário, cujo ônus, ele geralmente se esquiva de assumir, não do bônus.

Não é à toa que peemedebistas históricos, com ampla ficha de serviços prestados ao partido, estão se distanciando o se distanciaram, por falta de ação política e diálogo. Exemplos são vários, mas fiquemos apenas com os nomes do ex-governador e deputado federal, Moisés Avelino (PMDB) e Júlio Resplande, agora sem partido.

Não será fácil a missão de Derval e Bueno, de pacificar o partido, internamente. Mas a propósito, há uma crença no PMDB, que um ex-peemedebista ainda passa uns 15 anos votando secretamente no partido, até se desvencilhar por completo de sua ideologia. Assim sendo, nem tudo está perdido.

Ao convidar ícones peemedebistas com o objetivo de buscar a conciliação interna no PMDB, o pedetista Totó Cavalcante, também um ex-peemedebista, está fazendo o papel que o presidente do PMDB mostrou-se, de certa forma, omisso.

Apesar do exercício democrático a que todos os filiados têm direito, quem sabe, essa comissão conciliadora também ponha freio ao desconforto que o próprio presidente da sigla vem submetendo o partido, com sua intempestiva disposição para uma vaga ao senado. Como disse o deputado estadual, Iderval Silva (PMDB) ao site RT, “a hora de se pronunciar seria aquela” em que Gaguim e Marcelo Miranda, se apresentaram como pré-candidatos ao governo e ao senado, respectivamente, e Reis não o fez.

Fogo “Amigo”

O trabalho da comissão será maior do que inicialmente se imagina. De acordo com um prefeito de uma cidade do interior, o PMDB não poderá ficar alheio a denúncias relativas a supostas irregularidades entre pagamentos e medições de obras. De acordo com o influente prefeito, suspeita-se que o “franco-atirador” seja do próprio partido, com o claro objetivo de tumultuar o processo, embora a incumbência das denúncias caiba a outra conhecida agremiação, da qual o prefeito também diz fazer parte.

“Então, que Reis assuma de fato a presidência do PMDB e de forma isenta, abra espaço para o diálogo com os outros partidos da base-aliada. Estamos em maio e o limite para se decidir as composições é o mês de junho. O tempo urge para a solução de problemas internos do PMDB”, desabafa o prefeito.

Comentários (0)