Brasil e Japão reforçam aliança contra crimes ligados a criptomoedas e contrabando

Os dois países avançam em uma cooperação mais estreita no combate à lavagem de dinheiro, ao contrabando e a outras práticas ilícitas, com foco especial nas operações com criptoativos

Crédito: Divulgação

Em um passo importante rumo à cooperação internacional no enfrentamento de crimes financeiros, Brasil e Japão firmaram um acordo para aprofundar a colaboração no combate à lavagem de dinheiro com criptomoedas, ao contrabando e a outros crimes econômicos que comprometem a integridade dos sistemas financeiro e comercial.

 

 

O entendimento foi selado durante a primeira visita oficial do novo embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi, à sede da Receita Federal, em Brasília.

 

 

O encontro, realizado na última quarta-feira, marcou o início de uma nova etapa na cooperação bilateral, com foco no fortalecimento dos controles financeiros, na modernização tecnológica e no intercâmbio de informações estratégicas para enfrentar ameaças comuns.

 

 

Criptomoedas sob vigilância: frente conjunta contra crimes transnacionais

Um dos principais temas debatidos foi o reforço no controle das operações financeiras com criptoativos — ferramenta que, segundo autoridades brasileiras, tem sido cada vez mais utilizada em esquemas de lavagem de dinheiro relacionados ao contrabando e ao crime organizado.

 

 

A Receita Federal tem expandido sua capacidade de fiscalização sobre os diversos atores do mercado financeiro, incluindo bancos, fintechs, gestoras de fundos e empresas que operam com moedas digitais.

 

 

As medidas estão alinhadas às diretrizes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), com o objetivo de adequar o sistema brasileiro aos mais altos padrões internacionais.

 

 

“As criptomoedas representam um desafio crescente para as autoridades fiscais e de combate à lavagem de dinheiro em todo o mundo”, afirmou o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas.

 

 

“Estamos alinhados com os padrões internacionais mais rígidos para rastrear e frear o uso de cripto em esquemas ilícitos”, completou.

 

 

Nesse contexto, o Japão se destaca como um aliado estratégico. O país asiático é referência mundial em regulação de criptoativos, com um marco regulatório vigente desde 2017 que exige licenciamento, auditorias frequentes e rigorosos controles sobre as exchanges (plataformas de negociação).

 

 

A parceria entre os dois países incluirá treinamentos técnicos e o compartilhamento de informações sobre transações suspeitas, a fim de aprimorar os mecanismos de identificação e resposta a crimes financeiros.

 

 

Tecnologia e cooperação para uma fiscalização mais eficiente

Outro ponto de destaque no encontro foi o esforço do Brasil em modernizar suas ferramentas de fiscalização. O país vem investindo em inteligência artificial, escâneres de última geração, sistemas de raios X e outras tecnologias avançadas para o controle de cargas e passageiros em portos, aeroportos e fronteiras terrestres.

 

 

Nesse campo, já existem parcerias em andamento com empresas japonesas, e o cenário é favorável à ampliação dessa cooperação tecnológica.

 

 

O embaixador Noguchi reafirmou o compromisso do Japão em estreitar os laços com o Brasil para combater crimes econômicos e promover um ambiente de negócios mais seguro e transparente. Nos próximos meses, são esperados novos acordos técnicos e um maior intercâmbio de informações financeiras, com ênfase nas transações com criptomoedas.

 

 

Essa aproximação entre duas economias relevantes em seus respectivos continentes representa um marco na luta contra crimes econômicos transnacionais e antecipa uma agenda conjunta mais coordenada e tecnológica para os próximos anos.

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