O empresário Tom Lyra é um executivo de sucesso e um homem que reputo como inteligente acima da média. Basta ver que saiu de Araguacema, das barrancas do Araguaia e hoje brilha como um dos empresários com trânsito e acesso a grupos e coorporações poderosas dentro e fora do País. Ao conversar com ele ontem para entender os motivos da sua desistência em concorrer ao cargo de deputado federal fui levada a um simples exercício matemático, fazer contas e exercitar a lógica.
No twitter ontem eu conversava com o jornalista Vieira de Melo sobre expectativa de formação de bancada federal. Minha aposta até então era, no quadro atual, cinco deputados para a Força do Povo, e três para a Tocantins Levado a Sério. Nada a ver com o desempenho dos candidatos a governador ou quem vai ganhar as eleições majoritárias, mas simplesmente com a possibilidade que cada grupo tem de fazer mais votos e assim eleger mais deputados nas proporcionais. Vieira aposta num 6 a 2. No fim do dia, e contas feitas, cheguei a conclusão de que ele pode ter razão. Vamos às contas, juntos.
Com quantos votos se faz um federal?
A página do TRE mostra que estão aptos a votar no Tocantins pouco mais de 948 mil eleitores. Levando em consideração que no último pleito votaram cerca de 630 mil eleitores, falando em votos válidos, podemos estimar algo em torno de 750 mil votos nesta eleição. Contas feitas, a legenda para se eleger um federal vai ficar por volta de 93 mil votos. E quem é que sozinho tem isso? Ninguém. Daí a força e a importância do grupo.
Pois bem, a realidade desta campanha começou a mudar quando o PP se juntou ao PMDB e aliados e no fim, a gota d’água se deu quando o PT formalizou aliança. Até então, as chances eram iguais para os dois grupos maiores. Na junção de partidos na Força do Povo, já aconteceu o primeiro indicativo de que somados os votos dos dois grupos, na proporcional para deputado federal, tudo caminharia para um 5 a 3, uma vez que são oito vagas para o Tocantins.
Desistências e adesões mudam o quadro
Agora vejam bem a divisão de forças nos nomes que estão na disputa. Dos oito federais, a Força do Povo tem em suas legendas ( não necessariamente no palanque), Moisés Avelino (PMDB), Osvaldo Reis(PMDB), Lázaro Botelho (PP), Laurez Moreira(PSB). A TO Levado a Sério tem Eduardo Gomes (PSDB),Nilmar Ruiz (PR), João Oliveira (DEM), que se licenciou e foi substituído por Júnior Marzola (DEM) - agora com Gaguim – e Vicentinho Alves (PR), substituído por Freire Jr.(PSDB), que não concorre à Câmara Federal.
Na chapa da Força do Povo engrossam as fileiras com chances reais de abocanhar uma vaga: Júnior Coimbra(PMDB), Angelo Agnolin (PDT), César Hallum (PPS)e mais uma infinidade de candidatos de médio porte que ajudam a compor legenda. Na Tocantins Levado à Sério são dois deputados de fato: Gomes e Nilmar, o ex-deputado federal Ronaldo Dimas (PR) e os iniciantes em busca de votos com expressão se limitam a Professora Dorinha, Irajá Abreu, Goiaciara Cruz e Otoniel Andrade.
Os certos e os duvidosos há 30 dias da eleição
Na ponta do lápis, para fazer dois, são necessários perto de 200 mil votos. Já do outro lado está Moisés Avelino, que mesmo apoiando Siqueira soma legenda para o time de Gaguim. Foi governador, é votado no Estado inteiro, e foi o deputado mais votado nas últimas eleições. Está Lázaro Botelho, fechando o apoio de adesistas com quem tem afinidade, e crescendo na cotação e pesquisas internas. De quebra é casado com a candidata a vice-governadora da chapa majoritária.
E será que alguém duvida, no quadro atual, da força representada pelo que se chama de “sangue novo” presente nas postulações de nomes como Júnior Coimbra, e Agnolin? Nas duas coligações já se ouve que quatro vagas para federal estão garantidas para a Força do Povo. Se o certo é quatro para um e dois para outro, duas vagas estão no campo das possibilidades. Vai ficar com elas o time mais competitivo.
É por isso que a desistência e adesão de Marzola, a retirada do nome de Tom Lyra não deixam de mexer no tabuleiro e afetar a chapa de federais da TLS. Mesmo que a história tenha mostrado que seja quem for o governador, ele termina tendo a maioria dos federais e estaduais, não importa de que partido eles sejam. É que o poder tem um imã.
Esperta, Valderez Castelo Branco vaticinou ontem no Bella Data: o imã hoje é Gaguim. É para ele que corre o rio de adesões neste momento do processo. Não que isso não possa mudar. Mas este é o quadro e retrato atual da campanha. Estáá aí Tom Lyra, que não me deixa mentir. Leu, entendeu, e como não tem tempo nem dinheiro a perder, foi cuidar dos negócios.
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