Acompanhando a caravana Acelera Tocantins na tarde de sexta-feira, e na manhã de sábado, 15 algumas coisas saltam aos olhos. Primeiro, as positivas: a presença do governo com as máquinas que chegam junto com o governador e permanecem limpando a cidade, fazendo a operação tapa buracos, arruamento e conservação de estradas vicinais causam um impacto considerável.
Entre quatro paredes, normalmente na sala do prefeito - por orientação da procuradoria eleitoral – o governador assina autorizações para celebração de convênios, faz a liberação de emendas parlamentares cuja dotação já está no orçamento, e eventualmente entrega ônibus escolares ou ambulâncias. A maioria delas, no entanto fica para a semana seguinte, após o emplacamento em Palmas.
Da prefeitura para algum ginásio de esportes, praça, ou tenda, a Caravana perde a característica de ato administrativo e ganha ares de celebração política. É aí, penso, que começam os problemas. O povo vai às ruas em maior ou menor quantidade, dependendo do poder de mobilização e vontade política do prefeito. No palanque quem tem o uso da palavra é o prefeito anfitrião, e o governador.
Discurso sugestivo
No discurso do governador na caravana deste final de semana, as críticas à oposição ganharam terreno. Gaguim falou na ADI dos Comissionados, criticou quem quer “demitir 21 mil servidores em pleno ano eleitoral”, disse que não quer ver o Tocantins “voltar ao tempo das perseguições, ao tempo da raiva”, e completou com a promessa do asfalto, que executará na medida do “que der” este ano. Já no ano que vem, disse Gaguim, “só Deus sabe quem é que vai continuar, ou não”.
A fala carregada da conotação política pode ter interpretações eleitorais. No momento, considero esse tipo de conteúdo no discurso do governador, desnecessário e perigoso. Depois de sair do trauma de um processo de cassação, tudo que o Tocantins não precisa, é passar por outro momento de questionamento desta natureza.
É sempre importante lembrar que Marcelo Miranda foi condenado por abuso de poder político, uma figura subjetiva, que se materializou no que o governo concedeu de benefícios à comunidade, num período que antecedia o proibido pelo calendário eleitoral. E num programa que começou primeiro, para virar lei depois.
Bloquetes, clínica da mulher, bicicletinha
Depois que a caravana passa, cabe aos prefeitos providenciar documentação para a celebração de convênio, por exemplo, para construir a Clínica da Mulher. O estado tem os recursos para a obra, mas precisa, por exemplo, da área que cabe ao município doar.
Uma crítica que tenho ouvido, é que a saúde está precária, muito em função da falta de recursos dos municípios para o pagamento de médicos e manutenção dos HPP’s, Hospitais de Pequeno Porte.
Alguns prefeitos dizem que era melhor que o estado aportasse recurso nestes hospitais, ou criassem um atendimento específico para a mulher, dentro das estruturas físicas já existentes, contratando ginecologista e colocando à disposição do município. Quando estiver pronta, a Clínica da Mulher vai gerar um novo gasto, e este deverá ser custeado pelos cofres estaduais, dado o estado de penúria em que vivem a maioria das prefeituras.
Rapidez na ação, cuidado com as palavras
Com 90 dias na estrada, o fato é que a Caravana precisa se transformar em mais que o patrolamento de estradas vicinais e limpeza urbana. Está na hora de começar a chegar os bloquetes, os recursos de emendas, as famosas “bicicletinhas” que levam os Pioneiros Mirins à loucura atrás do governador gritando: “Gaguim, Gaguim, Gaguim!”
Ouvi nos bastidores, entre os assessores do governador, que a primeira leva de bicicletas está em Palmas, fruto de doação da iniciativa privada. Os bloquetes e o início das obras de construção também precisam se materializar rápido. A entrega de ambulâncias – com ar condicionado, como tem frisado Gaguim – é outra necessidade urgente na maioria dos municípios.
Cumprir rapidamente o prometido, e limitar o discurso ao estritamente necessário, são duas medidas que uma vez tomadas, evitarão a caracterização da caravana como um programa de finalidade eleitoral, num ano eleitoral. Sem isso todo este esforço pode terminar comprometido.
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