O vereador Bismarque do Movimento propôs e seus pares aprovaram em novembro do ano passado a criação de uma comenda, a Zumbi dos Palmares, para homenagear expoentes da cultura africana, tão evidente num Tocantins cujas mais antigas cidades têm nos monumentos conservados, na raiz e na história a presença do povo negro. Nada mais justo. Será preciso muito crescimento e miscigenação para que o Censo do IBGE deixe de mostrar negros e pardos como a maioria da população tocantinense.
O problema é que a Comenda Zumbi dos Palmares já era para ter sido entregue, por duas vezes entre o final de novembro e o começo de dezembro, pela Câmara Municipal de Palmas. Com data marcada, e release distribuído à imprensa o evento não chegou a acontecer. Ao que tudo indica por desorganização interna de setores da Câmara Municipal, numa falha de comunicação entre diretorias, ou falta de interesse de algum comando superior que faça a máquina por lá funcionar.
E agora está criada uma situação que soou aos olhos do movimento negro como falta de atenção, pouco caso e até “preconceito dissimulado”, me disse um militante em email indignado encaminhado ao Site Roberta Tum. Isso por que na data marcada pela primeira vez, 30 de novembro, os três homenageados por segmento: uma mãe de Santo, um capoeirista e um representante do movimento negro, já estavam na Casa para receber a comenda, numa sessão que aconteceria a partir das 19 hs. E nem a placa da homenagem tinha sido confeccionada para a entrega.
No marca e desmarca, uma péssima impressão
Segundo informações dadas ao Site RT, o próprio cerimonial sugeriu que a sessão fosse adiada, e ficou acordado dia 1º de dezembro. Na imprensa ficou o jogo de releases: marca e desmarca. Após publicar que a entrega aconteceria, publicamos que não havia acontecido. E agora José? Quando mesmo será a entrega da Comenda Zumbi dos Palmares? Ou será que já aconteceu, sem a divulgação e a presença dos homenageados?
Num estado que teve de Arraias a Porto Nacional, passando por Natividade e outras, a forte presença de negros e afro- descendentes - erguendo paredes de igrejas, trabalhando na extração de minérios e todo o tipo de serviço braçal - muita coisa mudou, mas pouco se vê em termos de valorização das raízes e reconhecimento da importância do componente africano na formação de seu povo.
Penso que não parte dos vereadores o pouco caso, e que se há preconceito dissimulado na falta de ação para que a entrega aconteça e na atenção com os homenageados ela se deve aos critérios de quem decide se um evento é prioridade ou não na rotina da Casa.
A partir da semana que vem todas as atenções se voltarão para a eleição do presidente da Câmara, e a entrega que era para ter ocorrido no final de 2009 pode ficar para não sei quando. Se a Câmara de Palmas pretende homenagear com o nome de um herói da resistência africana ao sistema escravagista, numa comenda, àqueles que fazem por merecer por seu trabalho e atuação na sociedade, está na hora. Até por que um fato desagradável já foi criado, e o que era para ser um ato de homenagem pode ficar marcado pelo desrespeito.
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