O deputado Marcelo Lélis (PV) talvez seja o político na história recente de eleições no Estado que mais foi prejudicado por resultado errado de pesquisa às vésperas de uma eleição. Faltando 24 hs para a votação que definiria o prefeito de Palmas em 2008, uma rodada Ibope/TV Anhanguera soltou resultado que apontava o prefeito Raul Filho, então candidato à reeleição com 21 pontos na frente de Marcelo, e a deputada federal Nilmar Ruiz em terceiro. O Serpes por sua vez oscilou muito durante a campanha, mas acertou na última amostra divulgada: apontava nove pontos de frente para Raul, com margem de erro de 3%. Deu 10.
Com um intervalo tão pequeno, sem contar com a força da máquina, que estava a serviço da terceira colocada, a pesquisa Ibope - última a ser divulgada - caiu como uma bomba sobre o ânimo da militância verde. Passadas as 24 horas e abertas as urnas, o resultado mostrava dez pontos, e não 21 de diferença entre o primeiro e o segundo. Até hoje não se sabe quantos votos Marcelo Lélis perdeu em função do descrédito que a pesquisa do instituto famoso lançou sobre sua possibilidade de vitória. A única certeza que se tem é que o Ibope errou por 11(onze) pontos 8 (oito)acima da margem de erro. Uma margem inaceitável. Por estas e outras, o deputado federal Eduardo Gomes não poupa críticas ácidas ao instituto que – defende ele – deveria ser impedido de atuar no ramo.
Regulamentação preocupa institutos
O fato é que pesquisa influencia, e muito a opinião do eleitor que não quer perder seu voto. Séria ou manipulada, ela tem o mesmo efeito: criar a expectativa de vitória. Quanto maior for a diferença entre o primeiro e o segundo colocado, maior o efeito danoso que ela causa sobre os militantes e voluntários e especialmente sobre os doadores numa campanha.
É por isso que a cada eleição, aumenta a ira de parlamentares, ligados a candidatos diversos que terminam a campanha prejudicados pela manipulação da margem de erro das pesquisas. E cresce no Congresso Nacional movimento pela regulamentação de uma área que gera lucros imensuráveis aos institutos de pesquisa.
No caso do Ibope, o condinome Rede Globo dá um sobrepeso imenso aos resultados divulgados pelo instituto em todo Brasil. Nas ruas, o que se ouve é que pesquisa confiável é pesquisa Serpes e Ibope, dois institutos utilizados no Tocantins pelas Organizações Câmara. Sua credibilidade, aliada à da rede, potencializa os resultados e por conseqüência aumenta a responsabilidade de quem contrata.
Candidatos nem sempre satisfeitos
É por isso que ontem, ao comentar os resultados do Serpes/Jornal do Tocantins, nenhum dos dois candidatos ao governo estava satisfeito. Gaguim por que afirma que tem bem mais que 4,5 % pontos sobre Siqueira. Este último por que conhece como ninguém os institutos, sua forma de trabalhar e seu histórico de erros e acertos no Estado nos últimos anos. E especialmente, por que tem aparecido atrás nos últimos resultados divulgados.
Vamos aguardar que vem por aí nos próximos dias e seus efeitos sobre esta eleição que parece estar equilibrada nas ruas, para quem observa a olhos nus. Uma disputa que começa visivelmente a desequilibrar nos resultados que a gente espera que sejam realmente científicos, nas pesquisas. (Atualizada às 15h19, com informações do deputado Marcelo Lélis sobre a margem de 21 pontos dadas ao seu adversário sobre ele pelo Ibope/TV anhanguera)
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