Quando a deputada Amália Santana (PT) colocou a boca no trombone naquela tensa sessão que elegeu a Mesa Diretora da Assembléia Legislativa no primeiro de fevereiro deste ano estava tocando de leve num assunto que sabia ser nitroglicerina pura.
Ela disse por lá, com todas as letras, que se recusou a entrar num "esquema” de favorecimento no governo anterior, em que “haviam lotes disponíveis” para deputados companheiros. Que me perdoem os fakes que adotaram o hábito de vir aqui comentar que este site está ficando “tendencioso” ao “pegar no pé” dos pobres coitados do governo passado que aproveitaram as benesses do poder para fazer patrimônio. Tendência a reagir com indignação diante de tanta "lisura" com a coisa pública é coisa que nunca fizemos questão de negar. Faz parte de uma assumida linha editorial válida para antes, agora e depois. Doa em quem doer.
Metro quadrado, a preço de carne de segunda
Por isto mesmo, a lista a qual tivemos acesso vai para o ar na íntegra e podem ter certeza: de onde veio esta tem mais. Quem se beneficiou comprando lotes com metro quadrado ao preço do kilo de uva sem semente na feira da 304 Sul (R$ 15,00), ou pagou o metro de um multi familiar a preço de carne de segunda nas Arnos (R$ 9,00), por favor que se explique, o espaço está disponível para as verdades de todos.
Vão me dizer que não sabiam que estavam comprando sem licitação, um lote em área nobre, a preço irrisório? Ou de repente, como vão demonstrando as investigações prévias, este era o preço oficial, e tinha um certo ágio por fora.. Não sei, quem sabe? Para uns,contam as viúvas da praça, o ágio era cobrado em dinheiro, para outros, podia ser substituído pelo apoio político.
Tenho ouvido alguns arautos da falta de ética com o que é público defendendo que isso é moralismo de ocasião: “ah, isso sempre foi assim, o Siqueira deu lote, o Avelino deu, o Marcelo deu, por que só os que o Gaguim deu é que estão errados?”
Legal era licitar e não vender no balcão
Este é o tipo de argumento que ignora o fato de que os primeiros anos de implantação da capital foram regidos por outra legislação. Desde que transferiu para a Orla S/A o direito de vender suas áreas públicas, com o compromisso de que fossem dotadas de infra-estrutura básica que o governo tinha dificuldades em fazer, o Estado do Tocantins mudou as regras do jogo. E a partir daí, venda legal, é com licitação. Mas isso é detalhe diante dos preços praticados.
O governo anterior teve a capacidade de pedir de volta os lotes comercializados em licitação pelo Orla S/A para fazer aquelas dações em pagamento já noticiadas, e as famosas transações “CV”, Compra e Venda.
O pior é que estes processos de compra e venda não estão na Companhia. Sumiram. Desapareceram. Escafederam-se. Ou talvez, estejam na filial de imobiliária que foi criada dentro da Procuradoria Geral do Estado. Ao término da investigação que a própria PGE realiza, sob a batuta do sério Bruno Nolasco, saberemos ao certo.
Laranja de toda qualidade, para todos os gostos
De fato, o que se tem nesta lista, é um amplo laranjal, em que poucos proprietários ousaram colocar em seus verdadeiros nomes os lotes adquiridos. Ou como justificou dia destes Haroldo Rastoldo Filho, “foram legalizados” neste período em que governou o ex. Isto só uma ampla investigação vai dizer: quando realmente foram adquiridos e pagos estes lotes e de que forma.
No imenso laranjal da Codetins, vamos aos poucos descobrindo quem é ligado a quem. Em outros casos, quem emprestou o nome para quem e quem foram afinal os poucos que lucraram tanto, em tão pouco tempo, com o que é patrimônio de todos.
Nos tempos de hoje em que tudo parece normal e errado é quem acha ruim uma bandalheira dessas, pouca gente ousaria dizer "não" à pergunta: quem quer lote em Palmas a “15 real” o metro?
Confira a lista com os nomes abaixo em anexo:
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