A professora Dorinha (DEM) em entrevista ao Site Roberta Tum no finalzinho da tarde de ontem, deu voz oficial ao zum zum zum de bastidores que corre por aí no meio político e entre os jornalistas da grande mídia. Kátia Abreu pode vir a presidir o novo PSD nacionalmente. “Existe uma possibilidade grande de que isso aconteça, o que vai ser muito bom para o estado”, disse Dorinha em entrevista, cujo trecho guardei para comentar aqui.
Olha a virada de 360º que este partido vai construindo na política tocantinense: Kátia, César Hallum e até Raul juntos numa nova legenda que nasce apaziguando diferenças e reunindo antigos desafetos.
Conversando com Hallum em Brasília esta semana, ouvi dele que não ficaram ressentimentos pessoais entre ele a senadora. “Eu até entendo que quando ela quis cassar o meu mandato, estava fazendo o papel dela de defender o que dizia o partido”, contemporizou. É fato. Hallum saiu para acompanhar Gaguim, ao lado de Paulo Roberto e Ângelo Agnolin. Na hora da eleição para federal( ele conta com alguma mágoa) ficou quase “a pé”. Não teve sequer o apoio dos dois companheiros de PPS: Sargento Aragão (que lançou e apoiou Chaves) e Eduardo do Dertins. Mas venceu as eleições e isso muda tudo, não é?
Dos três aliás, parece que apenas Agnolin ainda mantém relação de proximidade com o ex-governador. Paulo Roberto fez seu desabafo para o ex-aliado antes do governo terminar, em dezembro passado, e nos bastidores já fala novamente de Kátia Abreu com o tom de proximidade de um amigo de longos anos.
Que mudança hein?! Pois então.
Agora ao que tudo indica, vai chegando a possibilidade de que Raul Filho também se junte ao PSD. Tem pelo menos dois articulistas trabalhando para isto nos bastidores: Lutero Fonseca, do DEM da Capital, que segue de mala e cuia para o PSD neste sábado, e César Hallum, que pode desembarcar no novo partido levando consigo aliados nacionais do PPS, e aliados locais (prefeitos, principalmente). Ao desembarcar em Brasília esta semana, ao lado de Donizete Nogueira, comentei: "parece que o Raul fica não é?" e ele me respondeu: "fica onde? No PT não existe mais clima pra ele". Ah, bom.
Me perguntaram ontem no Twitter (www.twitter.com/robertatum) o que o PSD traz de bom para o Tocantins. Disse e repito, que é bom esperar todo o quadro clarear. É evidente que a reforma partidária vai acontecer de forma irreversível nos próximos meses. Existem partidos demais no Brasil. E ideologia de menos. Princípios de menos. Clareza pouca sobre as diferenças entre o que propõem cada um deles.
A virada que o PSD dá no quadro político
Neste cenário de sopa de letrinhas o PSD aparentemente pode não representar nada além de uma dança de cadeiras. Isto visto de fora. Mas para quem gosta de política, entende do jogo de xadrez que já vai se formando, é uma tremenda virada. Ou alguém duvida que – se conseguir vencer todas as etapas de sua formação para se registrar em seis meses – o PSD vem com tudo para as eleições municipais, começando por Palmas?
A possibilidade de que Kátia Abreu seja presidente nacional, dá à sigla uma confiabilidade ideológica interessante, sob o ponto de vista, por exemplo, que Reinaldo Azevedo defendeu esta semana em seu blog na Veja On line. Kátia é hoje, inegavelmente, expressão máxima nacional dentro do seu segmento e tem a simpatia da classe média brasileira. O evento de Brasília esta semana foi prova inconteste disto.
Talvez a maior prova que a senadora dá de que pode alçar vôos maiores e carregar consigo a responsabilidade deste novo partido, é a superação das diferenças. Do jeito que vai indo só falta perdoar Júnior Marzola e fazer as pazes com Freire Jr.
Uma coisa não se pode negar: o PSD é a bola da vez, abrindo janela de Norte a Sul do País para quem quer se livrar de situações incômodas e alianças indesejadas. Qual a novidade nisso? A mudança na conjuntura que vai provocar por aí. Começando aqui neste complexo e interessante cenário da política do Tocantins.
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