Os poderes de Don presidente na expulsão de Raul e Solange podem esbarrar na nacional se o prefeito bater o pé em ficar

A expulsão de Raul e Solange mostra mais sobre o PT do que Santana e Donizete gostariam de admitir. Muito já foi dito por petistas, raulzitas e comentaristas de todos os naipes nos últimos dias sobre o processo que culminou na expulsão no sábado, pel...

Parece que não vai ficar por isso mesmo a expulsão do prefeito Raul Filho, da capital, formalizada em decisão do diretório regional comandado pelo suplente de deputado federal Donizete Nogueira no último sábado.

Falo de Raul e não de Solange Duailibe, deputada e primeira-dama da Capital, por que o prefeito deu todas as indicações de que não quer sair do partido. Já Solange, desde o episódio da disputa pela presidência da Assembléia Legislativa, está mesmo disposta a abandonar um barco, que segundo a deputada, tem no comando um homem só.

O fato de que Raul não quer sair, não tem necessidade de sair, e a grosso modo, não tem motivos que justifiquem sua saída pode dar trabalho e expor de uma maneira nunca vista, as entranhas do Partido dos Trabalhadores no Tocantins.

O estilo Donizete de ser e de viver no comando do PT já incomodava o prefeito antes do episódio em que o primeiro, “empurrou goela abaixo” do segundo e de seu grupo, a candidatura fracassada de Paulo Mourão ao Senado, nas eleições do ano passado. Ninguém tem bola de cristal, mas restam poucas dúvidas do quanto a deputada estadual seria mais competitiva naquela disputa.

Diferença já existia na expulsão de Queiróz

Na verdade a primeira crise vivida internamente pelo prefeito, contra o estilo de Donizete, foi quando ocorreu a expulsão do deputado Manoel Queiróz. Naquele episódio o presidente regional deixou claro duas tendências: não deixar para depois um problema que poderia ser resolvido logo, e não ter dó de cortar na carne, perdendo representatividade do partido.

Uns e outros têm dito aqui que “Raul nunca foi PT, usou o PT”, e coisas do gênero. Não é de todo verdade. O casamento entre o líder e a sigla aconteceu no momento certo para os dois: o partido, que não tinha grande visibilidade no Estado, e que já vinha cometendo outros erros de condução no lançamento de candidaturas equivocadas, e apoio a outras sem saldo positivo, e o prefeito, que consolidava uma imagem de persistência semelhante a do ex-metalúrgico que chegou à presidência.

O que o PT tem afinal, conquistado nos últimos anos, é fruto do reflexo dos oito anos de Lula, um projeto que fez a sucessora, Dilma Roussef à presidência, e teve seus reflexos no Tocantins. Com isso, mais o tempo de TV, Donizete fez dois grandes negócios em menos de um ano: emplacou o PT na chapa de Carlos Gaguim, garantindo a “estrutura” de campanha que lhe amealhou os votos necessários a ficar na suplência, e emplacou o PT no governo Siqueira logo na eleição da presidência da Assembléia legislativa, garantindo o empate que deu a vitória à Moreira, e derrubando a candidatura de ... Solange, até então, do PT.

Olha aí o tamanho da confusão. Com um senso prático que tem garantido nas últimas jogadas políticas a prevalência e a evidência do PT no cenário como fator decisório, Donizete veio bem até aqui.

Quem acompanhou de perto a reeleição de Raul naquela campanha contra a máquina estadual e a efervescente “onda verde” que representava as forças siqueiristas na Capital, sabe bem que a militância do PT tinha e tem com ele uma empatia genuína. Se tivesse disputado o governo do Estado poderia ter provocado um resultado diferente, com poucos recursos financeiros. Há um ano, o desgaste era menor, e a vice-prefeita,Edna Agnolin teria sua chance de dar o choque de gestão na prefeitura da Capital.

Como política não se faz de passado, mas entendendo o passado, a lição que se tira é que Raul pode dar trabalho, se quiser, a Donizete, caso bata o pé e decida lutar para ficar no PT.

Nacional pode manter o prefeito

Com o domínio da maioria dos votos, e hábil na condução dos instrumentos partidários, Donizete não está acima da nacional. Por lá, ninguém quer perder um prefeito de capital para o PSD, que ainda é uma incógnita. É perder o certo, para o duvidoso. Ao lado de José Santana, outro histórico do PT, Donizete mostrou que tem o comando, mas pode enfrentar por aí uma crise. O princípio de rebelião que sabidamente tenta contornar, criando o tal recadastramento de filiados.

Como têm dito por aí alguns comentaristas, Don Presidente não tem o mandato popular, concedido pelo voto, mas tem o poder de decidir para onde vai a legenda, com quem vai e em troca de quê. É o patrimônio da imagem e do tempo de TV, além dos dois votos no legislativo estadual. Não é coisa pouca. Mas também não é tudo. Como já se começa a perceber.

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