Os prefeitos, a caravana e a reeleição de Gaguim

Na manhã desta segunda-feira, 3, começam as ações da Caravana Acelera Tocantins em Araguaína. A cidade está precisando. Uns dizem que o grande erro de Valuar Barros (DEM) foi não ter revelado o estado em que encontrou a prefeitura deixada por Valdere...

A Caravana Acelera Tocantins que chega nesta segunda de manhã à Araguaína é uma prova da capacidade de mobilização que a equipe de governo tem também nas grandes cidades. Nas pequenas, o impacto da frente de serviços está mais do que demonstrado. No norte do Tocantins, na capital econômica do Estado, o caos tomou conta do trânsito e a maioria da população e da classe política culpa o prefeito Valuar Barros, do DEM.

A comunidade de Araguaína reclama das ruas intransitáveis e da falta de ação administrativa do prefeito para resolver os problemas da cidade. A classe política se divide entre os que gostam e de alguma forma apoiaram Valuar, e os que torcem para que ele se dê mal, e assim ajude a eleger Valderez Castelo Branco, a qualquer cargo que ela venha disputar, caso dispute.

A herança de Valuar

Dos aliados do prefeito, é fácil ouvir que ele recebeu a prefeitura numa situação complicada, mas que poupou a ex-prefeita de “abrir o baú de segredos” expondo a situação em que se encontrava, financeiramente, o município. Esta “herança maldita”, argumentam alguns, é que estaria impedindo o prefeito de conseguir administrar bem Araguaína.

Na outra ponta não faltam críticos ao estilo “frio” do prefeito, de fazer ouvidos moucos às críticas e seguir sua vida, sem resolver os problemas da cidade. A maior crítica é ao estado calamitoso em que se encontram as principais vias públicas em Araguaína. E é nesse momento que o governador Carlos Gaguim e sua caravana chegam à cidade.

O poder do governo

Com as máquinas do Dertins, e o poder administrativo de dar socorro à uma das principais cidades do Estado, o governador chega para socorrer o ex-deputado, colega de Assembléia Legislativa, independente do fato de que ele pertença a um partido adversário, o DEM. De sua parte, Valuar acena com apoio político caso Gaguim socorra Araguaína.

Não há dúvidas de que o governador vai socorrer sim, a cidade. Mas ninguém duvida de que passada a caravana, é ao prefeito que compete a gestão pública municipal. Não há frente de serviços que resolva os problemas mais perenes. E por outro lado, o governador não pode sacrificar os recursos públicos privilegiando uma das cidades que tem no ICMS uma fonte de recursos consideráveis, em detrimento das menores. Estas sim, necessitadas do poder público estadual em muito maior escala.

Nos últimos dias tenho ouvido de prefeitos, deputados e líderes importantes, que Gaguim se fortalecerá no seu projeto de reeleição, caso consiga fazer os recursos e as obras chegarem rápido aos municípios. É um paradoxo. Fazer com que as coisas aconteçam é parte da obrigação do governante. E elas de fato, já estão chegando.

Num país que permite a reeleição, é difícil separar o que é obrigação e cumprimento do dever, das ações que – bem feitas - podem ser um fator de interferência no resultado das urnas. Trabalhando bem, Gaguim estará cumprindo seu papel de governador. E quanto melhor fizer, mais forte estará no processo sucessório deste ano.

De qualquer forma, para os araguainenses essa discussão pouco importa. Vale mais, as máquinas nas ruas, e os buracos tapados. Só esta diferença - nem um pouco pequena – já terá marcado a passagem de Gaguim e sua troupe pela cidade.

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