A vida de um jovem da sociedade paraisense de 24 anos chegou ao fim no sábado, 22, de forma trágica. Não há o que justifique a forma brutal com que foi assassinado. No meio do furacão das acusações antecipadas foram parar duas jovens, suspeitas da prática do crime. Talita e Milena, cujos nomes, imagens e histórias desencontradas foram parar na mídia.
É possível que sejam culpadas, mas isso só estará claro, acima de qualquer dúvida quando o inquérito for concluído, com provas ou confissões – legais e incontestáveis – arroladas, caso julgado, encerrado e penas estipuladas. Não houve flagrante, e até a conclusão do caso, diz o direito, as suspeitas têm direito à defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.
Algumas perguntas estão incomodando e carecem de respostas. É um quebra-cabeças difícil de fechar, mas dada a serenidade com que o delegado responsável conduz o caso e pela cautela que teve até agora em não antecipar acusações, acredito que chegará a elas, apesar do curto prazo que tem para trabalhar. Aguarda-se para terça-feira, 1º a conclusão do inquérito.
Até lá a dúvida sobre o motivo – a versão passional de assassinato por ciúme precisa ser consolidada – a cronologia dos acontecimentos (já que há uma tendência a acreditar que se trata de premeditação), e a hipótese da participação de uma terceira pessoa (possivelmente um homem) na cena do crime e nas providências subseqüentes de ocultar evidências e abandonar o corpo às margens de uma rodovia, precisarão restar esclarecidas. Um rapaz alto, forte, carregado por duas moças magras e de baixa estatura, sozinhas? Difícil acreditar. Mas vamos deixar as teses e comprovações para a polícia.
Na lista das preocupações, é de se apontar a rapidez com que tudo aconteceu no sábado. Enquanto o corpo era transferido para o IML, as duas suspeitas já depunham na delegacia. Compareceram sem advogado, conduzidas por um agente de polícia para prestar depoimento. Ficaram sob “vigilância” da polícia (onde? de que forma?), até que no domingo, e só aí, o mandado de prisão fosse expedido. Apenas uma das acusadas tem família em Paraíso, uma tia.
Tiveram assistência jurídica na segunda-feira, 24, conforme nota que chegou no final da tarde da Defensoria Pública. Na próxima segunda-feira, 31, dez dias depois do crime, passarão a ter o acompanhamento da forma que a lei lhes garante.
A vida do jovem Gustavo foi perdida de forma irremediável. É preciso que na pressa de apanhar, julgar e condenar os responsáveis pelo ato criminoso, não se ponha fim à outras vidas, igualmente jovens. Nem se atropele a lei, os procedimentos e tudo que nos dá a convicção e a fé na justiça.
Há coisas, sentimentos e situações que só Deus e o tempo podem corrigir. Outros erros está nas mãos dos homens evitar.
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