Os candidatos a deputados estaduais e proporcionais travam uma guerra surda nos bastidores pela definição do apoio de prefeitos, ex-prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças. A esta altura do jogo, o mapa político eleitoral do Estado está praticamente definido. Quem tem mandato, e o poder de distribuir emendas está com a reeleição quase garantida. O "quase" se explica pela alteração de humor de prefeitos e líderes quanto mais o período eleitoral se aproxima.
Explico. Por mais que um deputado atenda uma cidade de sua base com emendas e benefícios diretos, em Brasília ou junto ao governo estadual, nunca se sabe se o prefeito vai permanecer com ele até a eleição. Numa conversa entre um parlamentar que busca reeleição, e um prefeito da região do entorno da Capital dia desses, o primeiro teve que ouvir do segundo que "mais vale o benefício que vem pela frente do que aqueles que já foram feitos".
Em resposta, o prefeito ouviu a seguinte frase: "quer dizer que tudo o que eu fiz por você e pela sua cidade até aqui não vale nada?" A situação não é isolada, e a tendência é que diálogos como este se repitam nas próximas semanas. É que mesmo com os colégios pré-definidos com os atuais deputados estaduais, federais e senadores, muitas peças ainda se movimentarão no tabuleiro intrincado da política tocantinense.
Novos se movimentam
Um fator que não pode ser desconsiderado, é a presença na disputa dos novos candidatos a estadual e federal. Isto sem entrar no mérito específico da eleição para senadores. Novos são os que não têm mandato, mas têm boas chances na disputa. Entre eles estão os suplentes que tiiveram boas performances, e não estão desgastados junto ao eleitor. Estão também os novos nomes, de gente que ainda não disputou mandato, mas têm boa representatividade entre segmentos importantes da comunidade.
O fato de que diversos deputados estaduais não disputarão a reeleição por postularem mandatos diferentes, e a mudança na composição de forças dos partidos também interfere no que virá a ser a nova formação da Assembléia Legislativa, e da representação tocantinense na Câmara Federal.
Sem bandeiras a defender
Emendas, contratações de lideranças, cabos eleitorais e toda sorte de artifícios já estão em jogo na luta por uma vaga na Assembléia e na Câmara. O que pouco se vê, na verdade, são outras discussões. Nem bandeiras, nem qualquer alinhamento ideológico estão em discussão com a sociedade tocantinense, o que seria de se esperar em se tratando da eleição de parlamentares.
A falta de conteúdo na plataforma dos políticos tocantinenses é que é preocupante. Vem daí, na minha opinião, boa parte da decepção que o eleitorado tem depois da eleição com a atuação de seus representantes. Um vício difícil de corrigir enquanto o critério de apoio a eles for o "quem dá mais".
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