Já eram mais de dez horas da noite de ontem quando um grupo de deputados oposicionistas deixou a casa da deputada Solange Duailibe, em Palmas. As reuniões têm sido freqüentes para manter a unidade e a troca de informações entre o G12 da oposição. Lá só faltou Stálin Bucar no sábado à noite. Ficou na fazenda, e mantendo contato por telefone com os companheiros.
O estado de espírito da deputada de oposição era o mais otimista possível. “Vou ganhar essa eleição”, acredita Solange, que ainda crê em reversão nos votos do PT. A eleição é secreta, o que favorece traições de lado a lado. Ou para ficar mais leve, deserções. A cena relembra aquela eleição da Câmara Municipal de Palmas em que só muito tempo depois ficou claro que quem tinha mudado o voto fora Maria da Balsa, e não Warner Pires, como chegou a se ventilar.
O Big Brother da eleição na Assembléia Legislativa está interessante, por que diante dos novos tempos em que todos estão mais do que vigiados, a jogada mais certa é contar para os companheiros que conversou com os adversários. Ontem os oposicionistas fizeram uma visita em busca do 13º voto. Logo depois Eduardo Siqueira, que coordena a campanha de Moreira à presidência em nome dos governistas tinha a informação da conversa.
Eduardo do Dertins e Iderval Silva conversaram com interlocutores do governo nos últimos dias. Tudo reportado, horas depois a Sandoval Cardoso e companhia. E assim o jogo segue, com tudo praticamente aberto, na mesa. No caso do documento assinado na casa da deputada Solange na sexta-feira, corre nos bastidores que dois deputados teriam sido pegos "de surpresa", pois não saberiam que o encontro tinha este objetivo: produzir um documento de apoio. Mas frente a frente, ninguém confirma, e lá, todos pareciam unidos e confiantes.
Chapão foi cogitado em articulações em Brasília
Um chapão, envolvendo os dois grupos políticos foi cogitado nos últimos dias. Júnior Coimbra teria aberto um canal de diálogo com Kátia Abreu em Brasília, buscando costurar uma opção que não fosse em torno do nome de Moreira. A senadora também teria ouvido por telefone, o deputado Sandoval Cardoso, com quem não falava há um ano. Levou o assunto à Eduardo Siqueira, que me disse ontem com todas as letras: não abre mão de Moreira na presidência.
Nos argumentos de Eduardo, a explicação de que o nome de Raimundo Moreira partiu dos deputados, numa prévia fechada, em que teve quatro votos. “Nossos 12 estão bastante unidos, e discutindo outras coisas, falando do Estado, trocando idéias, é outro nível de discussão”, disse ele.
Com 12, o governo faz a presidência, no critério regimental do que tem mais mandatos. A briga pelos demais cargos da Mesa favorece a oposição, caso o placar se mantenha tal como amanheceu neste domingo. O ex-senador faz a conta dos blocos partidários, em que PT e PR tem a maioria dos seus deputados com o governo (Bucar e Solange, na dissidência não formariam bloco), o que favorece na indicação das comissões.
Nos bastidores, o governo espera chegar na terça-feira com 14 deputados contra 10, mas trabalha com a hipótese de ter 15. A oposição luta pelo 13º voto. Se chegar com 12 até a noite da segunda-feira pode entregar o pacote a um governista mais centrado, e que, como querem, preserve o pacto de autonomia da Casa.
Duro vai ser achar este 13º. Mais do que nunca está claro que os grandes líderes - João Ribeiro e Kátia Abreu – não estão dispostos a brigar dentro do governo pela presidência da Assembléia. Afinal a vida não se resume a uma eleição no primeiro mês de governo. E eles sabem.
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