Qual projeto de futuro o Tocantins quer construir?

Artigo traz reflexão sobre o uso estratégico da Inteligência Artificial nas universidades e na gestão pública do Tocantins, alertando para os riscos da dependência tecnológica sem formação crítica

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A Inteligência Artificial não está mais “chegando”. Ela já está incorporada ao cotidiano da produção científica. Veja que hoje em dia ela já participa da análise de dados médicos, da modelagem ambiental, da organização de referências, da estruturação de projetos complexos. Nota-se que em muitos casos, acelera processos que antes exigiam tempo e equipes extensas. Mas reduzir essa transformação à ideia de velocidade é simplificar demais o fenômeno.

 

A questão central não é técnica. É estratégica.

 

Quando notamos que uma universidade passa a utilizar ferramentas de IA sem discutir formação crítica, governança e autonomia intelectual, ela pode estar apenas modernizando a superfície enquanto aprofunda uma dependência silenciosa, algo que estamos percebendo claramente. O risco não é usar a tecnologia. O risco é usá-la sem construir competência própria. Não se trata de resistência ao avanço tecnológico. Isso seria um equívoco histórico. A Inteligência Artificial pode contribuir diretamente para áreas sensíveis do Tocantins, como saúde pública, planejamento agrícola, gestão ambiental e demais setores sociais, acadêmicos e institucionais, ela pode apoiar decisões, otimizar recursos e ampliar acesso ao conhecimento.

 

Mas tecnologia não é neutra.

 

Modelos são treinados com dados, visões de mundo, prioridades econômicas e recortes culturais específicos. Quando adotamos essas ferramentas sem reflexão, importamos também seus pressupostos. E isso exige maturidade institucional. 

 

O Tocantins está diante de uma escolha menos visível do que parece. Pode apenas consumir soluções prontas ou pode investir em literacia digital, formação docente e protocolos claros de uso ético. Pode limitar-se a aplicar ferramentas ou pode desenvolver capacidade de avaliá-las criticamente.Existe uma diferença grande entre acompanhar uma tendência e compreender suas implicações.

 

Estados que estruturarem hoje políticas de governança tecnológica estarão formando pesquisadores capazes de dialogar com a IA e não apenas utilizá-la como atalho. Sem essa base, a inovação vira dependência operacional. A Inteligência Artificial amplia capacidade, mas não substitui método científico, responsabilidade pública nem discernimento humano.

 

O futuro científico do Tocantins não será definido apenas pelo acesso à tecnologia, mas pela qualidade da formação que oferecermos agora e  essa é uma decisão que ultrapassa o entusiasmo técnico, é uma decisão sobre autonomia, desenvolvimento e projeto de Estado.

 

Agora vem a pergunta: Os gestores públicos irão falar apenas de eleições ou irão falar de projetos para algo que irá transformar a vida de uma sociedade tão carente quanto essa nossa do Tocantins? Fica ai a reflexão.

 

Me. Leonardo Luiz Ludovico Póvoa
Poeta, professor e pesquisador em Comunicação e Inteligência Artificial.

 

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