Quem roubou o discurso de Moisés Avelino?

A presença do deputado federal, e ex-governador do Estado, Moisés Avelino (PMDB), causou "frisson" ontem na inauguração do espaço destinado aos trabalhos de coordenação da pré-campanha do PSDB/DEM/PR e outros nove partidos aliados. Tratado como um íc...

Há cenas que são um marco na política, e há fatos que mudam para sempre a vida de um homem público. Só o tempo julgará a guinada que o deputado federal Moisés Avelino (PMDB) deu em sua carreira política, após diversos mandatos - entre eles o de governador do Estado - para estar agora apoiando e brevemente integrando o grupo que trabalha para levar Siqueira Campos (PSDB) de volta ao Palácio Araguaia.

Sem julgamentos de valor - que não nos cabe fazer – é pertinente fazer uma análise dos fatos que levaram à uma mudança tão radical, que divide além dos peemedebistas, os próprios “avelinistas”. No Tocantins, um nome dá origem a um séquito. Mais que partidos, prevalecem os líderes. Assim, olhando para o palco onde Dr. Moisés ouviu ontem rasgados elogios ao seu valor como homem público, me foi inevitável voltar no tempo, aos idos de abril de 1991, quando cheguei ao Tocantins para integrar o seu governo na chefia de reportagem da então Comunicatins, repetidora da extinta TV Manchete.

No túnel do tempo

Avelino era o novo, o governador recém eleito derrotando Moisés Abrão, que por sua vez tivera o apoio de Siqueira, que havia acabado de deixar o governo. Para ser rápida na cena, o que se viu foi o tradicional em política: demissão de comissionados, determinação de retirar de todos os cargos os “perigosos” siqueiristas. Retirada de funcionários públicos das casas da então Arse 72, recém construídas e ocupadas pela turma de Siqueira.

O tempo passou, Moisés Avelino deixou o governo, e Siqueira voltou pela porta da frente após derrotar João Cruz, à época do PMDB. De lá para cá, permaneceram os embates entre “avelinistas” e “siqueiristas”, entre “peemedebistas” e “utistas”. O tempo amenizou as diferenças, as campanhas sangrentas em que se via nas praças telões exibindo um Avelino jovem dizendo repetidas vezes que Palmas iria crescer “len-ta-men-te”. O tempo amenizou até os embates jurídicos, as contestações jurídicas, os processos.

Aclamado por Eduardo

Do alto dos seus 30 anos de vida pública, Avelino ouviu de Eduardo Siqueira ontem: “Dr. Moisés, me deixa muito emocionado e honrado sua presença aqui hoje, pelo que ela significa. O senhor não deixou o PMDB, o senhor não mudou, e nem mudará, o que vai mudar é o Tocantins”.

Elogiado por Kátia

Depois Avelino ouviu da senadora Kátia Abreu (DEM): “Quero resgatar em todas as oportunidades, a coragem deste homem. O Tocantins precisa aumentar o número de Moisés Avelinos. A coerência que ele teve em sua vida inteira. Só um grande espírito público poderia colocar o Tocantins acima de tudo. Eu vou lhe ajudar, Dr. Moisés. O Tocantins não pode prescindir da sua presença no Congresso Nacional”.

Defendido por Ribeiro

De João Ribeiro (PR), o deputado e ex-governador, ouviu o relato da reunião ocorrida na casa do deputado Sandoval Cardoso com a executiva do PMDB, da qual ele não participou. “Vieram me oferecer apoio para uma vaga de senador. Eu disse a eles: vocês têm três candidatos do partido disputando vagas, e vocês têm um quarto, que não está na disputa, mas que é talvez seja o melhor nome que vocês têm não só para o Senado, mas até para disputar o governo, que é Moisés Avelino, e vocês meteram os pés nele”, contou o senador.

Sem grandes declarações, Moisés entrou e saiu tratado mais do que como um troféu, repito, mas como um ícone do PMDB de oposição histórica ao pré-candidato tucano, agora engrossando as fileiras dos que acreditam que “o melhor para o Tocantins, é a volta de Siqueira”.

De volta da viagem pelo tempo, e mesmo conhecedora dos últimos meses que selaram o rompimento de Avelino com o governo Gaguim, após apoiá-lo nas eleições indiretas, ainda me quedo sem entender.

Pode ser que esteja nas palavras de João Ribeiro a resposta. Pode ser que esteja no que Dr. Moisés ainda não disse, e quem sabe diga até as convenções. O que eu me pergunto e ainda não encontrei a resposta, é: acima de todas as diferenças pessoais com aquele que é governador do seu partido, onde se perdeu e quem roubou o discurso, a bandeira, a história de militância de toda uma vida do líder Moisés Avelino?

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