Quem tem olhos para ver, como diz um termo bíblico, já percebeu, desde antes do Siqueirismo retomar o poder, que a situação econômica e administrativa do estado do Tocantins não é nada boa. Marcelo Miranda, bom moço, bem intencionado, porém sem autoridade em seu próprio governo - no primeiro e no segundo -, deixou que a máquina administrativa e política governamental fosse conduzida por alguns parentes e amigos: entre estes, pai, irmão, tio e esposa. Cada um querendo tomar rumos diferentes daqueles para os quais o povo o elegeu.
No segundo mandato é que essa locomotiva se descarrilou de vez, pois, com o RECED (Cassação de seu mandato), todas as atenções estavam voltadas para a instância maior da Justiça Eleitoral em Brasília e aos que acenavam com a “varinha de condão” para reverter a situação.
No governo de Carlos Gaguim, um sortudo e esperto eleito de forma indireta, fizeram menção que o “trem” iria ser recolocado em seus trilhos. Até que tiveram boa vontade, mas com a falta de experiência, a sede com a qual foram ao pote e o esforço mal planejado de fazer mais que seus antecessores em pouco tempo para conseguir uma reeleição, trilhos, dormentes, estações e o que estavam pela frente foram atropelados por uma máquina desgovernada e um “maquinista”, que, a exemplo de muitos homens públicos e cidadãos comuns acreditou que o malfeito jamais é descoberto.
Quem tem olhos para ver, está percebendo também que o velho líder político e atual governador pela quarta vez, está corrigindo o seu tradicional jeito de fazer política. E, ao meu ver, tem motivos de sobra para isto: sofreu muito com a solidão da planície (falta de mandato); isolamento da maioria dos amigos (os pseudos, pois os verdadeiros nunca abandonam um amigo que está por baixo); muitas críticas da imprensa e da sociedade tocantinense que mudou muito com o crescimento social e econômico do Estado e, por fim, aquele desejo de fazer o melhor governo de toda a sua vida, encerrado sua carreira política em paz com a sociedade e consigo mesmo, abrindo caminho fácil para seu filho Eduardo Siqueira dar continuidade ao seu legado.
Mas é na Assembléia Legislativa, principalmente, onde está a miopia, sobretudo entre alguns parlamentares de oposição. Ora, a guerra que se travou entre o Palácio Araguaia e o Palácio João de Abreu foi ridícula e claramente movida por interesses políticos pessoais e partidários. Conforme a sociedade testemunhou, pela imprensa, o Orçamento dos Três Poderes tocantinenses para este ano, elaborado na gestão passada, foi um equívoco – como o Legislativo pode ter mais dinheiro que uma secretaria da importância da Pasta da Agricultura?, por exemplo.
O atual Governo tentou adequá-lo à realidade e o resultado foi a administração pública estadual ficar, nestes três primeiros meses do ano, sem recursos para atender as necessidades mais prementes da sociedade.
É ai onde está faltando olhos do Legislativo para ver que o “Velho” está mudado e quer acertar seguindo pelos caminhos da democracia, do diálogo. Se não, não ficaria apenas nos torpedos disparados, muitas vezes, convenhamos, de forma impensada, destrambelhada. Teria, como outrora, passado o seu famoso “trator D-40” por cima de tudo e de todos e conseguido sua vontade, sem estar se estressando, se angustiando e se humilhando.
Com um Estado nas condições em que está, é hora de deixar o palanque de lado e unir forças para o bem geral da sociedade tocantinense.
Pelo menos até às vésperas das eleições de 2014.
Antônio Oliveira é jornalista e radialista.
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