Em meio a tanta tristeza na tragédia de Realengo no Rio de janeiro, não podemos deixar de notar a presteza e a rapidez no atendimento às crianças sobreviventes. Em contrapartida, nas mesmas páginas dos jornais que noticiavam o atentado, figuravam, manchetes sobre a situação da saúde pública no país. O caos está longe do fim.
Três situações distintas me levaram a escrever este artigo. A primeira foi quando conheci, no entorno de Brasília, uma clínica médica popular. A segunda, quando, numa conversa com meu jardineiro ele contou de um vizinho que vai todos os dias ao “postinho de saúde” por motivo de solidão e a terceira foi quando, hoje, sábado, pela manhã fui a uma loja popular da cidade.
Acho maravilhoso o “popular” da mesma forma que abomino o “público”. Adoro aquela movimentação de “povo”.
A clínica que visitei conta com um plano de saúde de R$28,00 mensais. Um laboratório enorme, ginecologistas, dermatologistas, neurologistas, urologistas e um mini ambulatório.
Para aqueles que não têm o plano de saúde da clínica a consulta varia entre R$16,00 e R$20,00.
Alguns, principalmente médicos e biomédicos, podem achar que é um tipo de prostituição da profissão. Mas vejo diferente. É uma forma de exercer o tão esquecido sacerdócio em condições dignas de fazê-lo. E olha, que todos ali ganham dinheiro atendendo com qualidade uma enorme fatia da comunidade.
A realidade é que a criação de tais clínicas desafoga os hospitais públicos proporcionando aos mesmos um melhor tratamento para os casos de urgência e emergência.
Ora, a questão da busca pelos postos de saúde chega a ser cultural, diga-se de passagem, o caso do vizinho do meu jardineiro. Quem não conhece alguém que não foi ao “postinho” sem necessidade. Não sei por que, mas o povo adora um hospital. Talvez carência ou insegurança.
Já dizia minha avó...”se você quiser doar alguma coisa, doe por cinqüenta centavos. O receptor dará mais valor na doação.”
O incentivo pelo popular devia ser encarado como política pública em todas as áreas, não apenas na saúde, mas na educação, na habitação (que já existe). Enfim, que todas as pessoas possam ter a dignidade de falar um dia: “Estou pagando, tenho o direito de ter um atendimento de qualidade.”
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