Depois da reunião que entrou a noite na última quinta-feira, 27, no Palácio Araguaia, em que o governador Siqueira Campos(PSDB) abriu a agenda para receber a nova diretoria da ATM e os prefeitos que estivessem em Palmas no Palácio Araguaia, um outro encontro se estendeu entre os prefeitos na Cabana do Lago. Depois do dia de contatos, discursos, eleição e mais discursos, foi jantando em grupos que eles trocaram impressões sobre o primeiro contato com o governador eleito.
Muitos dos aliados de primeira até última hora do ex-governador Carlos Gaguim (PMDB) estiveram por lá, pisando o mármore do Araguaia pela primeira vez depois que o peemedebista deixou o poder. E quem foi que encontraram por lá? O novo governador, com o discurso de paz pregado por Siqueira na campanha. Aquele que dizia que não iria governar com rancor e com ódio. Do agora governador, investido no poder e na liturgia do cargo, os prefeitos ouviram as mesmas palavras, que nós da imprensa registramos tantas vezes ao longo do período pré-eleições. Só que ditas agora, fazem uma diferença danada.
Bandeira branca entre adversários
Nas mesas do Cabana do Lago, o que se podia ouvir é que a bandeira branca hasteada pelo governador foi bem recebida. “Ele foi muito feliz nas suas colocações”, disse um prefeito de oposição ao Site Roberta Tum. No discurso, o argumento: prefeitos foram escolhidos pelo povo e o governo não pode passar por cima do povo para punir seus eventuais desafetos políticos ou adversários das urnas. Até parecia que o Velho Siqueira tinha acabado de descer do palanque, vestido o terno e entrado no auditório do Palácio Araguaia.
Nas poucas promessas que fez ao presidente da ATM e prefeitos reunidos ali, algumas valeram a viagem: pagar os convênios que não foram pagos em dezembro pelo ex-governador; abrir um estudo sobre a esperada redivisão no cálculo do ICMS; administrar para o povo, ajudando os municípios a enfrentar as principais demandas de suas comunidades.
“Tenho até junho para colocar o Estado em dias”, disse Siqueira logo depois em entrevista coletiva. “E não posso prometer nada sem saber se o dinheiro vai dar para cumprir”, seguiu alertando. Só a disposição de conversar, de rever, de analisar, mesmo que a verdadeira reforma tributária tenha que vir de cima, já foi bem recebida pelos prefeitos.
Relação institucional mostra amadurecimento
Um homem amadurecido pelo tempo e pela dor da perda recente - que fez questão de lembrar ao se referir à tragédia que o fez recentemente enterrar o neto Gabriel – foi o que se apresentou diante dos prefeitos naquele fim de tarde e começo de noite no Palácio Araguaia. Disposto a superar as diferenças e se propondo a “combater as imensas desigualdades”, esparramadas pelo Estado."Eu não tenho tempo para ódio, para vingança, para ressentimentos", bradou.
Ao deixar vir à tona o ideal que deve mover os governantes - trabalhar pela população sofrida acima de tudo - e se propor a virar a página de um passado de confrontos, Siqueira realmente foi feliz no seu primeiro encontro com os prefeitos.
Da foto posada do começo, ao final do encontro quando os prefeitos subiram as escadarias do auditório, vi muito peemedebista e ex-gaguista aliviado com a possibilidade de ter uma boa convivência com o governo. Ela é necessária. E se concretizando, mostrará um amadurecimento da classe política do Estado.
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