Gosto neste espaço, de comentar não o que já aconteceu, mas o que está caminhando nos bastidores para acontecer. Mesmo sabendo que ao agir assim, posso alterar o curso dos acontecimentos, como os leitores mais assíduos deste site, e deste espaço de opinião já perceberam.
Enquanto a adesão de Marzola é o comentário do dia, eu que já antecipei as conversações, o acordo, e o dia do apoio com a presença dos presidentes de 44 sindicatos, quero falar dos movimentos que estão crescendo nos bastidores e que terão seu reflexo nas adesões, desistências e mudança de apoio de lado a lado.
É óbvio que o grupo governista tende a levar vantagem na geração de novos fatos na mídia, especialmente adesões, pelos motivos que cito: tem maior estrutura de campanha visível nas ruas (de carro de som a propaganda), tem uma curva ascendente nas pesquisas, e seu candidato está sentado na cadeira de governador. Mas vamos aos movimentos já estão em curso, e que vão gerar os fatos que todos nós veremos estampados nas manchetes nos próximos dias.
Pra quem não tem chance , melhor aderir
Primeiro movimento: sobra candidatos e falta expectativa de vitória para quem não tem uma estrutura considerável. Querem ver? Assembléia Legislativa, por exemplo. São seis vagas que realmente não serão renovadas, as de Júnior Coimbra, Cacildo Vasconcelos, César Hallum, Angelo Agnolin e Fábio Martins. Todos os outros deputados são candidatos, e têm a seu favor o gabinete, a estrutura, e os que são governo, os correligionários que nomearam nas indicações de confiança.Em tempo: Paulo Roberto (PR) também perdeu a chance de disputar, com a decisão do TRE.
A oposição tem em suas vagas, os deputados estaduais bem posicionados nas pesquisas, o que deixa para dezenas de postulantes a dura missão de concorrer em condições desiguais. Conta-se nos dedos quem consegue aportar recursos próprios, e tem patrimônio pessoal para enfrentar uma briga destas. Conclusão: desânimo. É aí que entre ser candidato derrotado de oposição, e aderir ao governo antevendo pelo menos participação numa próxima gestão, se torna um caminho interessante.
Sem chance e sem valor, "prata da casa" também adere
Quem está no grupo governista e foi “escanteado” com a chegada de antigos adversários, que agora são companheiros cheios de prestígio também pode aderir. A lista dos magoados cresce, quanto mais aumenta sua visão de que a derrota os aguarda, e o espaço que já é pequeno, pode ficar menor. Somam-se a estes candidatos que se sentem desprestigiados, os ex- isto, ex-aquilo, e os que ocupam algum posto em presidência de partidos aliados.
Por isso, no contravapor dos que deixam a oposição para viver dias menos sofridos nas hostes do governo, devem vir por aí os que compõem o “baixo clero”, mas que em sua comunidade, não deixam de ter valor. Observem que este segundo movimento também já começou.
Sobre Tom Lira, Goiaciara e Irajá
Agora uma explicação básica sobre como funciona divisão de apoio nos municípios para candidatos proporcionais. Numa análise superficial, todos que estão numa mesma coligação disputam entre si as mesmas vagas, que disputam também com a coligação adversária. Observando com lente de aumento, não é bem assim. Exemplo: quem permanece na base do DEM da senadora Kátia Abreu, divide seu apoio entre dois candidatos a federal: Irajá e Dorinha. A direção não vai indicar ninguém para apoiar, por exemplo, um candidato do PR.
Quem está na base do senador João Ribeiro(PR), divide o apoio entre os candidatos do PR: Nilmar, Otoniel, Goiaciara, e se ficasse na disputa, Tom Lira. A candidatura de Irajá foi fato novo que afetou a divisão do bolo do DEM. No PR o fato novo foi Goiaciara, viúva do falecido João Cruz. O universo que ela afetou, além de ser o do PR, foi regionalmente o de Gurupi. E aí sim, mexeu nas bases de gente do governo, como Agnolin e Laurez. Ao lançá-la, Ribeiro minou o campo adversário, e fortaleceu a legenda, pra dizer pouco.
Tom Lira, que até agora não explicou direitinho os motivos reais pelos quais não está mais na disputa, ainda pode falar sobre isso. Não fala agora, para não ofender gente que considera e criar situação. Mas minhas fontes garantem que depois de investir, e ver os amigos investirem perto de R$ 400 mil na pré-campanha e no começo da campanha, percebeu que estava numa disputa onde sua eleição não era prioridade. Traduzindo, pode até ficar onde está. Mas se aderir, também tem lá seus motivos.
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