A sessão extraordinária da Câmara Municipal de Palmas, nesta quarta-feira (29), foi marcada por tensão e disputa de ritmo. Além do orçamento do município, estava na pauta uma proposta para mudar o artigo 21 da Lei Orgânica — mudança que pode permitir a reeleição do atual presidente da Casa, Marilon Barbosa. A ideia de votar o tema com rapidez provocou reação imediata em plenário.
A vereadora Professora Iolanda Castro apresentou requerimento pedindo a retirada de pauta — ou, como alternativa, o adiamento da discussão e de qualquer votação naquele dia. O argumento foi direto e compreensível: antes de mexer nas regras do comando da Câmara, é preciso seguir as etapas previstas, com tempo para análise, registro e transparência. Iolanda disse que o próprio ato de convocação falava em “deliberação”, o que indicava que poderia haver votação, e por isso ela se antecipou para evitar que a sessão avançasse de forma apressada.
O pedido encontrou resistência. Houve falas contrárias e discussões acaloradas, com vereadores defendendo que a proposta fosse votada logo. Mesmo sob pressão, Iolanda manteve a linha: mudanças desse porte precisam passar pelo caminho da legalidade, com discussão mais ampla, transparente e os passos internos cumpridos, para que a decisão seja sólida e não vire contestação depois.
Ao final, o plenário acolheu o requerimento. Na prática, a Câmara interrompeu a tentativa de aceleração e decidiu que a proposta de mudança do artigo 21 seguirá o trâmite compatível com o Regimento Interno, com passagem pelas comissões e cumprimento das etapas antes de voltar para votação. Para aliados e adversários, o ato da vereadora Iolanda encerrou a sessão com um recado: em temas sensíveis, a pressa pode até vencer no grito — mas não vence quando a regra é colocada no centro do debate.
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