A CPI do Crime Organizado no Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, a convocação do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do ex-ministro da Fazenda, Paulo Guedes. Diferente do convite, a convocação obriga o comparecimento sob risco de condução coercitiva.
A nova fase da investigação foca em fraudes estimadas entre R$ 17 e 50 bilhões. O colegiado também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Banco Master, de sócios de Vorcaro e da Reag Investimentos — empresa liquidada pelo Banco Central em janeiro por suspeita de participação no esquema.
"Precisamos parar de concentrar o combate em ações pontuais nas periferias e levar nossas investigações também para os esquemas do andar de cima", afirmou o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES).
Desregulação do mercado sob suspeita
O requerimento contra Campos Neto aponta que a desregulação do sistema financeiro durante o governo Bolsonaro favoreceu crimes. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) ressaltou que Vorcaro tentou entrar no sistema financeiro por uma década, mas obteve autorização apenas em 2019. "A digital de Roberto Campos Neto é nítida e incontestável", declarou a parlamentar.
Já o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) justificou a convocação de Paulo Guedes pela necessidade de apurar se as políticas econômicas entre 2019 e 2022 fragilizaram o controle estatal. "Foram implementadas políticas que, sob o pretexto de modernizar e aumentar a competitividade, fragilizaram os mecanismos de controle", disse.
Reações e outros requerimentos
A oposição critica as convocações e aponta motivação política. O senador Sérgio Moro (União-PR) afirmou que não há referências na imprensa que liguem Guedes ao banco. "E aqui nós vamos convocar para quê? Para fazer o jogo político", questionou.
Além das convocações, a CPI aprovou convites (participação opcional) para:
- Ministros do STF: Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
- Membros do governo e ex-ministros: Rui Costa, Gabriel Galípolo e Guido Mantega.
- Ex-ministros da Cidadania: João Roma e Ronaldo Vieira Bento (estes convocados obrigatoriamente).
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