Coletivo Somos rompe com a base do prefeito Eduardo Siqueira Campos

Além de sair da base na Câmara de Vereadores de Palmas, grupo entrega cargos na Secretaria de Igualdade Racial e Direitos Humanos 

Crédito: Reprodução/Instagram

A porta-voz do Coletivo Somos (PT) na Câmara dos Vereadores de Palmas, Thamires Lima, anunciou na noite desta quarta-feira, 10, no perfil do instagram do Coletivo, a saída da base da gestão municipal de Palmas. A decisão foi anunciada após a operação Falsa Emergência, deflagrada em maio deste ano pela Polícia Civil (PC), que se desdobrou nesta quarta no cumprimento do mandado de prisão da Secretária Municipal de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, e do superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa.

 

No posicionamento, a porta-voz do Coletivo apresenta a inquietude da base que elegeu o Somos para a representação parlamentar na Câmara. “Muita gente nos perguntou nos últimos meses porque o Somos permaneceu até aqui na base da gestão do prefeito Eduardo Siqueira Campos. E acreditamos que a nossa obrigação é prestar contas de forma honesta.”

 

Ela segue apresentando que a permanência do coletivo até o momento momento se deu pelas diversas tentativas de contribuir com uma gestão mais humana, mais responsável e sensível à realidade de quem mais precisa dos serviços públicos, dimensões que a vereadora afirma no vídeo que foram historicamente negligenciados na Capital. “Nós permanecemos porque acreditávamos que era possível construir mudanças reais para a nossa cidade. Permanecemos porque queríamos garantir que políticas públicas historicamente negadas em palmas finalmente saíssem do papel. E foi isso que buscamos fazer todos os dias. Enquanto estivemos na gestão, Palmas avançou em políticas de igualdade racial, diversidade, direitos humanos e cultura popular de forma inédita", afirmou.

 

Mas a parlamentar apresentou no vídeo que não houve integralmente espaço na gestão para estas contribuições. “E nós tentamos. Durante meses buscamos dialogar, cobrar, contribuir e construir caminhos dentro da gestão. Fizemos isso publicamente, mas principalmente internamente, em reuniões com secretários, com o prefeito e com diferentes setores da administração municipal. Mas chegamos a um ponto que nossas posições, nossos alertas e defesas históricas deixaram de contrair espaço dentro da gestão", declarou.

 

Thamires apresenta ainda a construção de pontes importantes com o governo federal, e a contribuição do Coletivo para articular recursos, programas e políticas públicas na capital. “Trabalhamos para que Palmas não ficasse de fora dos avanços que o Brasil vem construindo. O Somos sempre acreditou que ocupar espaços também é disputar rumos e foi isso que tentamos fazer até o último momento. Os últimos acontecimentos aprofundaram divergências políticas e administrativas que já vinham sendo debatidas internamente e tornaram inviável a continuidade dessa relação política".

 

Aliança consolidada desde o segundo turno das eleições municipais na capital, o Coletivo fez parte da base do então Prefeito, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), na Câmara de Vereadores desde 2023, além de ter assumido a Secretaria Extraordinária da Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh) de Palmas, pelo então co-vereador do Coletivo Eduardo Azevedo, e pelo secretário-executivo, Ayrton Lopes, também co-vereador do Coletivo. A pasta extraordinária foi criada na atual gestão, e em vídeo, Thamires afirma a saída também de ambos da administração pública da Capital.

 

Entenda a Operação

A Operação Falsa Emergência trata de supostas irregularidades no processo de parceria entre o Município e a Organização Social Santa Casa de Itatiba, responsável pela gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) nas regiões norte e sul de Palmas desde o final do mês de março de 2026, segundo publicações no Diário Oficial do Município. Além dos dois mandados de prisão dos servidores públicos da Secretaria Municipal da Saúde, foi expedido um mandado de prisão preventiva contra Cláudia Fernanda Cândido da Silva, que é apontada pelas investigações da PC como uma das principais articuladoras do suposto esquema de corrupção investigado. Cláudia segue foragida da justiça.

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