As especulações sobre o fechamento das chapas para Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa ganham destaque após o fechamento da janela eleitoral para as eleições de 2026, ocorrido às 23h59 do último dia 4 de abril.
Com o fim das movimentações de pré-candidatos entre os partidos, dentre eles muitos de mandato vigente na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa (Aleto), a base do Republicanos, do governador Wanderlei Barbosa sofreu baixas, mas segue a maior no Legislativo estadual.
Dos 24 deputados estaduais na Aleto, 15 compõem declaradamente a base do governador, sendo eles Cláudia Lelis (PV) e Ivory de Lira (PCdoB), que apoiam Wanderlei a despeito de seus partidos serem federados com o Partido dos Trabalhadores (PT).
Léo Barbosa, Cleiton Cardoso e Eduardo Fortes do Republicanos; Wiston Gomes, Gipão, Vilmar Oliveira, Moisemar Marinho e Marcus Marcelo do PL de Eduardo Gomes; Jair Farias, Vanda Monteiro, Nilton Franco e Eduardo do Dertins do União Brasil de Dorinha, e ainda Janad Valcari do Progressistas, também compõem a base do governador.
Mesmo sem disputar por cargos eletivos em 2026, Wanderlei Barbosa tem força parlamentar no Legislativo estadual o bastante para seguir com seu mandato até o fim, algo que historicamente não acontece desde Marcelo Miranda em 2006.
Vicentinho Jr., que conseguiu o trunfo de buscar para seu palanque o presidente da Aleto, Amélio Cayres, também termina a janela eleitoral fortalecido, tendo apoio de seis deputados estaduais: Júnior Geo e Jorge Frederico do PSDB, além de Amélio Cayres, Danilo Alencar, Valdemar Júnior e Olyntho Neto do MDB.
Completando a base de oposição a Wanderlei na Aleto, Laurez Moreira tem três apoiadores manifestos na Aleto: Luciano Oliveira, Eduardo Mantoan (ex-PSDB) e Gutierres Torquato (ex-PDT), que se moveram ao PSD de Laurez em apoio à sua candidatura ao Governo em 2026.
Bancada do Tocantins na Câmara Federal
Dentre os deputados federais, apenas Antônio Andrade, Eli Borges e Vicentinho Júnior trocaram de partido. Nesse contexto, PSDB e Republicanos são os dois partidos que somam dois parlamentares na bancada tocantinense em Brasília. União Brasil, MDB, Podemos e PL são as siglas com apenas um representante.
Dentre eles estão Carlos Gaguim, que permaneceu no União Brasil; Alexandre Guimarães, que permaneceu no MDB; Antônio Andrade, que deixou o Republicanos para o PSDB; Filipe Martins, que permaneceu no PL; Eli Borges, que deixou o PL e foi para o Republicanos; Tiago Dimas, que permaneceu no Podemos e Vicentinho Júnior que deixou o Partido Progressista (PP) para o PSDB.
Kátia Abreu no PT: Elemento surpresa
A filiação surpresa de Kátia Abreu ao PT e a permanência de Cinthia Ribeiro no PSDB foram destaques, enquanto a saída de Carlos Amastha do PSB para o partido de Eduardo Siqueira Campos (Podemos) gera expectativa de conflito em chapa de Dorinha, que não perde Gaguim, mantido no União Brasil (UB).
Tão inesperado quanto surpreendente, o reforço de Kátia Abreu ao partido do presidente Lula abala as estruturas estaduais do partido, caracterizado por uma composição de coalizão entre correntes ideológicas divergentes, que muitas vezes não se alinham, e levaram o PT a ficar sem representantes nos níveis federal e estadual em 2022.
Coligação MDB-PSDB
Quanto à permanência de Cinthia Ribeiro no PSDB, a ida ao PSD de Eduardo Mantoan ou ao PSB após saída de Amastha estão descartadas. Deve ser anunciada em breve a pré-candidatura da ex-prefeita de Palmas a deputada federal, na pior das hipóteses, mas uma corrida pelo Senado é esperada.
Deve-se destacar a robustez de uma chapa MDB-PSDB, com Vicentinho e Amélio Cayres governáveis, Cinthia e Alexandre Guimarães para o Senado e nomes como Iratã Abreu e Osires Damaso pleiteando vagas na Câmara em Brasília, além de deputados estaduais de mandato como Júnior Geo, Olyntho Neto e Waldemar Júnior buscando reeleição.
Palanque heterogêneo de Dorinha
Considerada a chapa em melhores condições eleitorais no início da corrida eleitoral de 2026, em termos locais, a base de Dorinha Seabra pode ter até quatro candidatos para o Senado.
Com Eli Borges e Vanderlei Luxemburgo pelo Podemos e Carlos Gaguim pelo União Brasil pré-candidatos, além de Eduardo Gomes (PL) buscando reeleição, a soma heterogênea de gigantes pode pesar o palanque de Dorinha além da conta. Gomes minimiza tanta disputa interna, e considera as pré-candidaturas “pretensões naturais”.
O senador pelo Tocantins vê todos “jogando no mesmo time”, assim como será necessário que ocorra com desafetos declarados como Janad Valcari (Progressistas) e Amastha (Podemos), agora unidos pelo apoio a Dorinha para o Governo.
Laurez limitado a terceira via
O vice-governador Laurez Moreira (PSD) é quem sai com o pior espólio desta janela eleitoral. Com a suposta preferência de Lula em cheque há meses e o ‘cheque-mate’ da filiação surpresa de Kátia Abreu ao PT, Laurez segue compondo sua base, tendo ao seu lado nomes como o recém filiado Eduardo Mantoan, Irajá Abreu, Luciano Oliveira, Gutierrez Torquato e Mauro Carlesse.
Além de perder espaço na corrida por um palanque forte, Laurez tem a adversária histórica e prefeita de Gurupi, Josi Nunes (UB), atuando a favor de Dorinha na região onde Laurez tem base consolidada. E enquanto firma apoios a Dorinha, Josi ainda busca emplacar a filha Luana Nunes na Câmara Federal.
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