Júnior Geo questiona interesse tardio da Assembleia em CPI contra Wanderlei Barbosa

Geo aponta que CPI por desvios de recursos durante a pandemia “deveria ter sido aberta há muito tempo”. Base governista defende Wanderlei e acusa deputado de tentar promover instabilidade política

Crédito: Reprodução/TV AL

Na última quinta-feira, 26, o governador Wanderlei Barbosa afirmou que a Polícia Federal também iria à porta dos deputados estaduais, desafiando o presidente da Assembleia, Amélio Cayres a abrir a CPI para investigar um esquema milionário de corrupção que teria começado em 2020, durante a pandemia de Covid-19.

 

O governador foi afastado da chefia do Executivo e investigado por corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal apontou que apenas com fraudes envolvendo as cestas básicas, um grupo de gestores por ele chefiado tenha desviado R$73 milhões do erário público tocantinense.

 

O deputado estadual Júnior Geo (PSDB), que apresentou à presidência da Assembleia Legislativa (Aleto) um pedido de impeachment do governador no dia 12 de novembro de 2025, foi hoje, 31, à tribuna do plenário do Legislativo e destacou ser “estranho que, por muito tempo, o governador [Wanderlei] ficava pedindo para o presidente [Amélio Cayres] segurar a CPI”.

 

“Nós sabemos o que está acontecendo. Sabemos o motivo da investigação. Sabemos que há fortes indícios de corrupção na sua gestão”, destacou Geo, que questionou a postura de Amélio Cayres quanto a seu pedido de inquérito a Wanderlei, através de uma CPI na Aleto.

 

“Deveríamos ter, há muito tempo, colocado em pauta o pedido de impeachment para que pudéssemos investigar”, disse Geo, que complementou: “Também sabemos que nessa reta final, com os deputados em campanha, fica difícil promover a investigação. Todo mundo correndo pelo estado do Tocantins, sabe-se lá se vai ter quórum aqui para dar continuidade à investigação. E o governador sabe disso”, afirmou.

 

Para Júnior Geo, Amélio Cayres capitaliza este caso em momento oportuno. “Joga para a galera: abre a CPI, abre o impeachment. Mas por que não fez isso lá atrás? Porque deve. O motivo é só esse”, cravou o deputado.

 

Base governista responde

Em nome da base governista na Assembleia, Vanda Monteiro (União Brasil) se opôs a Júnior Geo, também em plenário, e afirmou que a postura do seu colega se deve à perda nas eleições municipais em 2024, quando Geo foi candidato à prefeitura de Palmas.

 

Vanda caracteriza Wanderlei como "um governador de mais de 80% de aceitação no estado, campeão de obras”, disse a parlamentar, que destacou a realização de muitos concursos estaduais durante a atual gestão do Executivo. “É o governador que mais fez e está fazendo concurso público no nosso estado”.

 

A deputada apontou a Geo, que ele “tem que reconhecer o que o governador está fazendo". “Respeito Vossa Excelência, mas tem que respeitar um governador que tem feito uma gestão e é um grande gestor. Tem que reconhecer que o Wanderlei é um grande gestor, né?” indagou a parlamentar.

 

Vanda sinaliza que a base governista seguirá na defesa de Wanderlei e não permitirá que seja promovida a “instabilidade política” no Estado.

 

“Aqui nós vamos ter muitos embates, que nós vamos defender, sim, um homem que tem compromisso, tem credibilidade com esse estado, que foi afastado injustamente. E Vossa Excelência sabe o motivo por que foi. A justiça tarda, mas não falha”, bradou Vanda.

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