PEC da aposentadoria especial de agentes de saúde pode ser votada na próxima semana

Considerada um dos principais desafios fiscais do Senado, proposta avança após relator Irajá Abreu articular urgência com apoio de 68 parlamentares

Crédito: Divulgação Agência Senado/Carlos Moura e Tom Molina

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 14/2021, que cria regras de aposentadoria diferenciadas para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, deve entrar na pauta de votação do Plenário na próxima semana, após sinalização da presidência do Senado na quarta-feira, 17. O avanço célere da matéria — apontada nos bastidores como uma das atuais pautas delicadas da Casa devido ao seu forte impacto financeiro — ganhou tração com o requerimento de urgência apresentado pelo senador tocantinense Irajá Abreu (PSD-TO), relator do texto, que recolheu a assinatura de 68 dos 81 senadores.

 

 

O forte apelo político e a ampla mobilização da categoria contrapõem-se à preocupação com o equilíbrio das contas públicas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, alertou que o custo total da proposta pode chegar a R$ 69 bilhões, segundo dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e do Ministério da Previdência Social. O impacto direto estimado inclui um déficit de aproximadamente R$ 28 bilhões nos regimes previdenciários, além de um aumento de gastos de R$ 24 bilhões nos próximos dez anos.

 

 

Alcolumbre ponderou que não centralizará a decisão de travar ou liberar o texto. Ele iniciará uma rodada de consultas com os líderes partidários para consolidar o consenso e agendar a votação nos próximos dias.

 

 

Relator defende responsabilidade fiscal

Em resposta aos debates sobre o impacto financeiro, o senador Irajá Abreu defendeu a viabilidade da matéria em nota oficial, sustentando que o texto foi desenhado com ampla responsabilidade federativa.

 

 

"O texto que relatamos prevê regras de transição e garante assistência complementar da União para compensar o aumento de despesas nos regimes previdenciários municipais e estaduais. Não há descontrole fiscal, há planejamento e justiça social", observou o parlamentar.

 

 

O relator declarou que a aprovação unânime na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi um passo decisivo para fazer justiça a mais de 400 mil profissionais, aos quais classificou como a "linha de frente do SUS". Irajá enfatizou que está dialogando ativamente com Davi Alcolumbre para garantir uma votação célere em dois turnos e acrescentou que a expectativa para a próxima semana é altamente positiva.

 

 

O que prevê a PEC 14/2021

A proposta, que já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, estabelece os seguintes critérios para os profissionais vinculados tanto ao serviço público (RPPS) quanto ao INSS (RGPS):

 

- Idade mínima: 57 anos para mulheres e 60 anos para homens.

- Tempo de serviço: Mínimo de 25 anos de contribuição e de efetivo exercício na atividade de agente de saúde ou endemias.

- Mandatos sindicais: Garante a contagem de tempo de aposentadoria durante períodos de afastamento para o desempenho de funções classistas.

- Readaptação funcional: Permite computar o período trabalhado em funções adaptadas, desde que a mudança tenha sido motivada por acidente de trabalho ou doenças ocupacionais.

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