A manifestação oficial das Coordenações Regionais do PSDB-Mulher Nacional, divulgada em 24 de fevereiro — data emblemática que marca a conquista do voto feminino no Brasil — representa mais do que um gesto de solidariedade. É um alerta institucional.
Ao reagirem à decisão da direção nacional do PSDB de retirar Cinthia Ribeiro da presidência do Diretório Estadual do Tocantins, as lideranças femininas do partido expõem um método político que ignora o diálogo interno, desconsidera a construção coletiva e atinge, de forma direta, a representatividade feminina nas instâncias de poder.
A Nota Oficial das coordenadoras regionais do PSDB-Mulher foi entregue ao presidente da Comissão Executiva Nacional, Aécio Neves, durante reunião na tarde desta terça-feira (24), em Brasília. O ex-presidente nacional do PSDB e ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, também participou virtualmente da reunião e se manifestou duramente contra à decisão de retirar Cinthia da presidência do PSDB no Tocantins.
Representando as coordenadoras regionais do PSDB-Mulher, a deputada Emília Pessoa (CE) leu o manifesto em favor de Cinthia durante a reunião com Aécio e pontuou o descontentamento das mulheres com a conduta adotada pela direção e o tratamento dado a uma liderança feminina do partido.
Conforme registrado na nota oficial, “Cinthia Ribeiro não é apenas uma liderança estadual. É a única mulher reeleita à frente de uma capital brasileira em 2020, ex-prefeita de Palmas, presidente nacional do PSDB-Mulher e referência histórica na defesa da participação feminina na política. Sua destituição, conduzida sem debate institucional amplo e sem o devido amadurecimento interno, fragiliza não apenas uma dirigente, mas o próprio compromisso partidário com a democracia interna”.
A substituição por um deputado recém-chegado à legenda, em prazo reduzido desde sua filiação, acentua o caráter abrupto e vertical da decisão. A ausência de diálogo prévio e de construção coletiva levanta questionamentos legítimos sobre o tratamento dispensado à única mulher que presidia uma instância estadual do partido até então.
O episódio ganha contornos ainda mais graves quando se observa que a medida atinge justamente a presidente nacional do PSDB-Mulher — estrutura que, há 26 anos, sustenta o partido com formação política, mobilização territorial e fortalecimento de candidaturas femininas.
Para o PSDB-Mulher Nacional, não se trata apenas de uma alteração administrativa. Trata-se de um gesto que projeta impactos sobre a política de gênero dentro da legenda e transmite um sinal preocupante às mulheres que ocupam ou desejam ocupar espaços de decisão.
A nota solicita formalmente a reavaliação da decisão e a preservação da liderança de Cinthia Ribeiro à frente do Diretório Estadual do Tocantins, além da nomeação de uma Comissão de Reestruturação do PSDB-Mulher, composta por representantes regionais, com o objetivo de fortalecer institucionalmente o segmento feminino.
Ao reafirmar compromisso com a história do PSDB e com o fortalecimento institucional da participação feminina, o PSDB-Mulher Nacional deixa clara uma mensagem política: não há democracia partidária sólida quando lideranças femininas são afastadas sem diálogo, transparência e respeito.
A solidariedade das representantes e coordenadoras do PSDB-Mulher de todo o país para Cinthia Ribeiro ultrapassa a dimensão pessoal. A atitude simboliza a defesa da presença feminina nos espaços de poder e o enfrentamento a práticas que, sob a aparência de decisões administrativas, reproduzem padrões históricos de exclusão política de mulheres.
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