O vice-governador Laurez Moreira (PSD) tem demonstrado uma firmeza de poucos protagonistas da política tocantinense. De vice-governador isolado pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), ele se viu alçado ao poder no afastamento do titular ocorrido no ano passado. E, por um período de três meses em que permaneceu à frente do governo, ousou sonhar fazer um governo diferente e mais com a sua cara.
Um dos traços dessa sua personalidade foi a contenção de gastos, que não foi bem-vista nem bem recebida, por exemplo, pelos deputados estaduais – que poderiam ter integrado uma base mais sólida sua caso tivessem sido melhor agraciados com as cotas de cargos e fatias de poder.
Do fim do governo interino até este mês de junho, Laurez viu esvair-se o poder de um grupo construído de forma rudimentar e tentou a todo custo costurar interesses diversos, como, por exemplo, o das lideranças mais à direita e ligadas ao agro, como o ex-governador Mauro Carlesse (PSD), e o dos setores mais progressistas, que desde o seu governo o queriam próximo da base do presidente Lula e do PT.
Nesta semana de São João, final do mês de junho, o acordo para que Laurez tenha Paulo Mourão como candidato à segunda vaga da sua chapa, hoje liderada pelo senador Irajá, vem se consolidando como uma opção em que o vice-governador abraça definitivamente a esquerda no estado e pode, com isso, ver multiplicarem as suas intenções de voto.
Um traço interessante da cultura política tocantinense é a mania do "já ganhou" ou do "já perdeu".
E o hábito construído ao longo da história de eleições polarizadas no estado é o que vinha se desenhando entre a professora Dorinha, senadora e pré-candidata ao Governo do Tocantins pelo União Brasil, e o deputado federal Vicentinho Júnior, que disputará a eleição pelo PSDB, mas com um palanque de forte cunho bolsonarista.
Em meio ao que se tornou esse jogo de forças nos últimos meses, muitos aconselharam Laurez a desistir.
Porém, o ex-prefeito de Gurupi, que iniciou a sua vida política no movimento estudantil, que foi vereador em Dueré, deputado estadual e federal, mostrou uma tenacidade de poucos, uma firmeza que não é comum de se assistir nesse cenário.
Laurez permaneceu nas ruas e manteve a sua estrutura de campanha, que, embora tímida com relação à dos dois principais concorrentes, vinha se mantendo viva nas ruas e entre o eleitorado daqueles que se mantiveram ao seu lado. É o caso, além de Gutierrez (que é praticamente da família) dos deputados Luciano Oliveira e Eduardo Mantoan. A chapa estadual terminou fortalecida com os recursos de César Halum e de Mauro Carlesse – este último que juristas ouvidos pelo portal T1 Notícias garantem que está inelegível.
O fato, no entanto, é que Laurez chega ao final do mês de junho firme. Não desistiu e, por essa persistência, poderá ser beneficiado nas próximas semanas com uma reação que o coloque definitivamente acima dos dois dígitos na preferência do eleitorado e com possibilidades de também disputar essa eleição.
Como se vê em política, nada está decidido antes da hora. A data final para as convenções partidárias, que é 5 de agosto, ainda poderá reservar outras surpresas.
Assim como na Copa do Mundo, nas eleições deste ano o jogo será jogado em campo. Por mais que se façam previsões, há sempre a possibilidade de que os jogadores em campo marquem gols na medida das possibilidades que se abrem.
A eleição só será decidida no dia 6 de outubro.
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