Ministério da Saúde suspende vacina da dengue desenvolvida pelo Butantan

Medida é preventiva e não anula os resultados positivos da eficácia da vacina. As autoridades reforçam que a suspensão faz parte dos rígidos protocolos sanitários de segurança do SUS

Crédito: Divulgação/Instituto Butantan

O Ministério da Saúde (MS) anunciou nesta segunda-feira, 8, que suspendeu a imunização contra a dengue com a vacina do Butantan. De acordo com o governo federal, a medida foi adotada após o registro de duas mortes suspeitas, após a aplicação da vacina. Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo aplicada em dose única e também a primeira 100% brasileira. De acordo com o governo federal, a suspensão é uma medida segura e temporária para medidas de farmacovigilância e investigação dos casos.

 

Segundo o ministério, já foram aplicadas 500 mil doses da vacina até o dia 30 de maio. Dentre essas aplicações, houveram 42 casos de reações adversas severas, com sinais compatíveis com o de dengue agravada, dentre os casos, duas mortes que estão sob investigação. A imunização começou no início de 2026 com foco em profissionais de saúde, que representam 417 mil doses, das 500 mil já aplicadas.

 

Outras 83,6 mil foram aplicadas em pessoas com faixa etária entre 15 e 49 anos nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e em Araguaína (TO), que são municípios que representam índices relevantes de internações e óbitos em decorrência dos sintomas agravados da doença. De acordo com o ministério, não houve relato de eventos adversos entre os moradores dessas regiões que receberam as doses da vacina.

 

Entre os quadros que apresentaram adversidades, três foram considerados graves, com duas mortes. O primeiro caso grave foi de uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. Segundo o governo federal, ela evoluiu para um quadro de dengue grave e precisou ser internada na UTI, mas se recuperou. O segundo caso, que veio a óbito, foi uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave 19 dias após receber a vacina. O quadro incluiu comprometimento neurológico, com meningoencefalite, e a paciente morreu. O outro caso de óbito foi um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após a vacinação e evoluiu rapidamente para dengue grave, com choque refratário.

 

O MS orienta que as pessoas vacinadas com a vacina do Butantan nos últimos 21 dias devem observar sintomas e serem acompanhadas pela secretaria de saúde dos municípios e estados. Dentre os sintomas, é importante observar e procurar a unidade de saúde em que aplicou a vacina caso haja: febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação, piora do estado geral, sintomas do agravamento da dengue.

 

Vacinação com lotes da vacina Qdenga

Incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) no final de 2023, a vacina Qdenga, desenvolvida pela farmacêutica japonesa Takeda, está disponível no SUS gratuitamente para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizados por dengue, após os idosos, no entanto, o imunizante não foi liberado pela Anvisa para pessoas acima de 60 anos.

 

Confira a íntegra da nota do Instituto Butantan

"O Instituto Butantan informa que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal.

 

No momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.

 

O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absoluto com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra a dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.

 

O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS. O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para enfrentamento de problemas de saúde pública brasileira pelo SUS."

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